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Jun 11

Marcelo Guerra, médico

Sou Médico, comecei a carreira como Psicanalista e depois enveredei pela Homeopatia, que permitiu um entendimento integral do ser humano, como corpo e mente juntos, e não como um ser formado de duas partes que estão sempre em luta. Através da Homeopatia, cheguei à Antroposofia, na qual a Terapia Biográfica é baseada, e aí encontrei respostas para a questão do sentido na vida do ser humano. Outras fontes que estudo para a compreensão do sentido são os textos de Viktor Frankl, Carl Gustav Jung, Leonardo Boff e Joseph Campbell, autores que trouxeram uma nova luz para a Psicoterapia. Endereços de Atendimento: Homeopatia, Acupuntura e Terapia Biográfica Praça Baltazar da Silveira, 20/ sala 104 (Clínica de Tratamento Natural) Centro – Teresópolis – RJ Tel: (21)2742-5940 Homeopatia e Acupuntura Praça Marcílio Dias, 56, Paissandu – Nova Friburgo – RJ Tel: (22)2523-9342 Terapia Biográfica Rua Ernesto Brasílio, 14, sala 408 – Centro – Nova Friburgo – RJ Tel: (22)8112-4983

Mar 17
Os cientistas já admitem que as práticas
espirituais fazem bem à saúde
Celina Côrtes, Cilene Pereira e Mônica Tarantino, Revista IstoÉ 01/06/2005

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Não importa o nome do deus ou se há deus. O fato é que a medicina começa a incluir cada vez mais em suas práticas o instrumento da espiritualidade no cuidado com os pacientes. Isso significa usar a favor do doente sua crença em uma religião ou sua busca de aprimoramento espiritual por meio de outros caminhos que não os religiosos. O tema, que sempre incomodou os homens da ciência, também começa a ganhar destaque na literatura científica, em eventos médicos e nas escolas de medicina.

Esse fenômeno é resultado de várias circunstâncias. Uma delas diz respeito à demanda dos próprios pacientes por um tratamento que contemple sua saúde em dimensões mais amplas. Eles querem ter seu lado espiritual respeitado e incluído nas terapias. Um estudo da Universidade de Ohio (EUA) feito no ano passado com 798 pessoas deixa esse anseio patente. Segundo o trabalho, cerca de 85% dos voluntários gostariam de discutir sua fé com o médico e 65% deles esperavam compreensão desse desejo por parte dos doutores.

Outra razão que explica o crescimento da importância do assunto está ancorada na observação clínica dos efeitos positivos da espiritualidade. Já são muitos os médicos que fazem essa constatação no dia a dia. O oncologista Riad Yunes, do Hospital do Câncer de São Paulo, é um deles. “Os pacientes que têm religiosidade parecem suportar mais as dores e o tratamento. Também lidam melhor com a idéia da morte”, observa.

Esse tipo de informação já aparece em diversas pesquisas. Muitas estão sendo feitas sob a batuta do médico Harold Koenig, da Universidade de Duke (EUA). Entre seus achados estão resultados interessantes. Pessoas que adotam práticas religiosas ou mantêm alguma espiritualidade apresentam 40% menos chance de sofrer de hipertensão, têm um sistema de defesa mais forte, são menos hospitalizadas, se recuperam mais rápido e tendem a sofrer menos de depressão quando se encontram debilitadas por enfermidades. “Hoje há muitas evidências científicas de que a fé e métodos como a oração e meditação ajudam os indivíduos”, afirma Thomas McCormick, do Departamento de História e Ética Médica da Universidade de Washington (EUA).

Estimulados por essa realidade, os cientistas procuram respostas que elucidem de que modo esse sentimento interfere na manutenção ou recuperação da saúde. Há algumas explicações. Uma delas se baseia numa verdade óbvia: a de que quem cultiva a espiritualidade tende a ter uma vida mais saudável. “Os estudos comprovam que a religiosidade proporciona menos comportamentos auto-destrutivos como suicídio, abuso de drogas e álcool, menos stress e mais satisfação. A sensação de pertencer a um grupo social e compartilhar as dificuldades também contribuiria para manter o paciente amparado, com melhor qualidade de vida”, explica o psiquiatra Alexander Almeida, do Núcleo de Estudos de Problemas Espirituais e Religiosos do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP).

Para os cientistas, essa explicação é só o começo. O que se quer saber é o que se passa na intimidade do organismo quando as pessoas oram, lêem textos sagrados e qual o impacto disso na capacidade de se defender das doenças. Embora não existam estudos conclusivos, acredita-se que esse plus esteja relacionado a mudanças produzidas pela fé na bioquímica do cérebro. “Setores do sistema nervoso relacionados à percepção, à imunidade e às emoções são alteráveis por meio das crenças e significados atribuídos aos fatos, entre outros fatores. Assim, um indivíduo religioso tem condições de atribuir significados elevados ao seu sofrimento físico e padecer menos do que um ateu ou agnóstico”, explica o psicólogo e clínico João Figueiró, do Centro Multidisciplinar da Dor do Hospital das Clínicas (HC/SP).

Para aprofundar as investigações, está surgindo até um novo campo de conhecimento, chamado de neuroteologia. Trata-se de uma área de pesquisa dedicada ao estudo da resposta das regiões cerebrais em face da fé e da espiritualidade. Um dos pesquisadores da área é o neurocirurgião Raul Marino Jr., chefe do setor de neurocirurgia do Hospital das Clínicas de São Paulo. Em julho, ele lançará um livro dedicado ao estudo dessas reações (A religião do cérebro, Ed. Gente). “Práticas como a prece, a meditação e a contemplação modificam a produção de substâncias do cérebro que têm atuação em locais como o sistema límbico, envolvido no processamento das emoções”, garante o especialista. Marino reuniu estudos feitos com aparelhos de ressonância magnética, PET/Scan (equipamento de imagem de última geração) e dezenas de trabalhos mostrando as modificações no cérebro.

Médiuns – A abrangência dos estudos também está aumentando. Se antes a maioria das pesquisas estudava populações protestantes, católicas e adeptos do judaísmo, agora começam a surgir trabalhos com praticantes de outras religiões. O psiquiatra Almeida, da USP, verificou a saúde mental de 115 médiuns espíritas. Descobriu que a incidência de transtornos como ansiedade e depressão nessa população fica em
torno de 8%, um porcentual menor do que a
estimativa encontrada na população em geral,
de 15% de incidência.

Todo esse movimento está levando muitas escolas de medicina a abrir espaço para debate. De acordo com um trabalho da Universidade de Yale (EUA) publicado no Jornal da Associação Médica Americana (Jama), em 1994 apenas 17 faculdades americanas ofereciam cursos sobre medicina e espiritualidade. Em 2004, já eram 84 instituições. No Brasil, a Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará inaugurou, também no ano passado, um curso opcional de 20 horas. Cem alunos já cursaram a disciplina. “A mudança está ligada a uma nova abordagem da escola médica, focada na humanização do relacionamento do médico com o paciente”, diz a criadora da disciplina, a professora de histologia e embriologia humana Eliane Oliveira.

Aos poucos, essa modificação começa a se desenhar nos hospitais brasileiros. Um dos médicos que fazem questão de estimular a prática da espiritualidade em seus pacientes é Eymard Mourão Vasconcelos, da Universidade Federal da Paraíba e com pós-doutorado em espiritualidade e saúde pela Fundação Oswaldo Cruz. Para ele, não restam dúvidas quanto ao poder da fé na recuperação dos doentes. “É preciso despertar a garra em portadores de enfermidades. Isso não se faz com conhecimento técnico, mas mexendo com a emoção profunda da espiritualidade”, frisa. Outro que usa a ferramenta da fé é o cirurgião oncológico Paulo Cesar Fructoso, do Rio de Janeiro, integrante da Sociedade Brasileira de Cancerologia. “Mas nenhum tratamento médico deve ser interrompido”, ressalta.

Risco – O médico toca em um ponto importantíssimo. Quando a religiosidade toma o lugar da medicina, as coisas se complicam. Quem leva a fé a ferro e fogo e decide depositar tudo nas mãos de Deus corre o sério risco de perder a vida. Um estudo feito pelo médico Riad Yunes com três mil pacientes de câncer de mama no Hospital do Câncer de São Paulo mostra o quanto essa possibilidade é real. Segundo o trabalho, 20% das mulheres preferiram fazer tratamentos espirituais antes de se submeter à cirurgia e tomar os medicamentos indicados pelos médicos. “Quando voltaram ao hospital, três ou quatro meses depois, os tumores tinham dobrado de tamanho”, diz Yunes. Como se vê, o equilíbrio entre as necessidades da alma e as do corpo é um dos segredos de uma boa saúde. É o que busca, por exemplo, a atriz Lucélia Santos, 47 anos. “O desenvolvimento espiritual me traz harmonia. A saúde do organismo e do espírito andam juntas”, diz.

Jan 30

Por Hylton Sarcinelli Luz em 22/1/2008

Certamente, a grande maioria dos cidadãos do mundo não leu nem lerá o editorial da revista científica The Lancet (Vol 366 August 27, 2005), uma vez que a publicação é principalmente dirigida aos médicos e pesquisadores interessados na área da saúde.

Trata-se do editorial intitulado “O fim da Homeopatia” que afirma, entre outras declarações negativas, que a Homeopatia não tem fundamentos científicos. Argumentações como essas são perigosas e necessitam ser esclarecidas, uma vez que foram revividas pelo colunista Rogério Tuma, da revista CartaCapital (n° 473, de 5/12/07), dirigida ao público leigo.

Ao requentar uma pauta de 2005 da Lancet, o colunista ignorou a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), editada em 2006 para o setor de saúde do Brasil, que integra a Homeopatia, Acupuntura e Fitoterapia às práticas do SUS. Também desconsiderou a informação pública e notória que, há mais de 30 anos, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que os países incluam a Homeopatia em suas políticas de saúde. Esta decisão representa tanto um marco mundial para as políticas públicas de saúde quanto à consolidação do processo democrático na saúde. Neste último aspecto, destacamos o respeito à liberdade de escolha terapêutica dos cidadãos, bem como o compromisso com mecanismos decisórios que têm origem na participação da sociedade.

Alto custo

O permanente questionamento acerca da cientificidade da Homeopatia, e dos efeitos que produz na saúde, decorre de diferenças existentes nas concepções de doença de cada medicina. Qualquer parâmetro de medida só faz sentido quando utilizado corretamente. O termômetro é um excelente instrumento para medir temperatura, mas absolutamente ineficaz para medir distâncias. Este último fato, constatável e consensual a todos, não o desqualifica como um instrumento útil.

Assim, a maneira diversa como a Homeopatia observa a saúde, razão de sua abordagem individualizada, voltada para as expressões da vitalidade e do sofrimento humano, implica obrigatoriamente parâmetros de observação e avaliação que são particulares e não estão contemplados nos protocolos científicos da medicina tecnológica.

Este fato não significa ausência de uma metodologia de investigação e procedimentos precisos de intervenção, os quais são avaliados por parâmetros justos, todos relacionados a uma concepção de saúde que lhe é própria e que a distingue de outras medicinas. O mesmo se dá com todas as Medicinas Tradicionais, cada uma com sua lógica própria que constitui uma racionalidade médica complexa, com seus próprios conceitos e parâmetros para orientar e avaliar a efetividade de seus procedimentos.

Tanto o editor da Lancet quanto o colunista da CartaCapital deixam claro, por meio de critérios duvidosos, que população erra quando escolhe aquilo que não se enquadra nos cânones científicos que defendem.

Incluir as Medicinas Tradicionais, também conhecidas como Medicinas Alternativas – ou, na nomenclatura adotada em nosso país, Medicinas Naturais – é investir para que a diversidade das práticas de saúde, que não dependem de importação de insumos e tecnologia de alto custo, possam contribuir para otimizar os recursos, sempre limitados, para ampliar a assistência.

Fosso social

Estima-se que o investimento anual total em Medicinas Naturais, em todo o mundo ocidental, nas áreas da pesquisa, formação de recursos humanos e promoção, não ultrapassa algumas centenas de milhares de dólares por ano. No entanto, em Medicina Tecnológica são investidos muitos bilhões de dólares para os mesmos fins.

Portanto, compete aos gestores públicos – e aos cidadãos que almejam por justiça social – se posicionarem a favor de medidas que estabeleçam como prioritário o investimento nas Medicinas Naturais, para que estas possam alcançar o nível de desenvolvimento necessário para suprir, juntamente com as demais formas de medicinas e práticas de saúde, as necessidades dos países e do mundo.

Será ainda possível conceber, como conduta em favor da humanidade, comportamentos que contrariam a liberdade de escolha das populações? É evidente, para todo o mundo que uma das causas da violência contemporânea é a justa revolta contra a progressiva ampliação do fosso social e da exclusão de direitos básicos que separam populações de uma mesma nação e de nações no mundo.

Jan 14

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Numa ação coordenada pelo promotor de Justiça Carlos Varela, a Polícia Civil prendeu na noite de ontem o falso médico Leandro Conti Ribeiro, que estaria atendendo num consultório montado na rua Segismundo Mendes, 105, em pleno centro da cidade. Num trabalho de investigação da equipe da Delegacia de Combate ao Crime Organizado, o delegado Edson Moraes deu voz de prisão em flagrante ao estelionatário quando fazia consulta de pacientes, inclusive prescrevendo medicamentos homeopáticos, conforme informação prestada ao Jornal da Manhã pelo delegado Edson Morais. O representante do Ministério Público informou que a atuação de Leandro Ribeiro passou a ser investigada a partir de denúncias apresentadas àquela Promotoria. No trabalho de investigação, um policial teria tentado marcar uma consulta, sendo informado que teria de pagar R$ 400. Mas um “paciente” que acabou arrolado como testemunha teria declarado que pagou R$ 180. Conforme o delegado que presidiu a investigação, também foram localizados receituários em farmácias, prescritos pelo homem preso ontem. Outra providência da polícia foi consultar junto ao Conselho Federal de Medicina (CFM) e Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais (CRM-MG), constatando que Leandro Conti não possui registro profissional para exercício da profissão de médico. Após receber voz de prisão, ele foi levado à delegacia de polícia, em ocorrência atendida pelo delegado Hércules Cardoso, que até o fechamento da edição ainda não tinha ratificado o flagrante. O promotor Carlos Valera fez questão de acompanhar toda movimentação da polícia, adiantando que o falso médico deve responder pelos crimes de propaganda enganosa e exercício ilegal de profissão e até mesmo por estelionato.

Na delegacia de polícia, o advogado Washington Luís Gomes da Silva atuou na defesa do suspeito, onde também foi procurado pela reportagem. O profissional declarou que seu cliente nunca se apresentou como médico, mas sim como terapeuta, devidamente legalizado. Também negou que o mesmo emita receituário de medicamento alopático, indicando apenas produtos da homeopatia. Demonstrando segurança, o mesmo advogado revelou ter havido outras ações contra seu cliente, a partir de 2003, garantindo que conseguiu o arquivamento de todas elas, sem que chegassem à ação penal. Por sua vez, o promotor Valera entende que só o profissional médico pode receitar medicamento, seja alopático ou homeopático, como declarou ao JM.

Fonte: www.jmonline.com.br/?canais,1,08,189

Nov 03

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No dia 30/10/2007 foi divulgada a notícia de que cientistas britânicos estão estudando a composição química dos fitoterápicos (remédios à base de plantas) chineses. A notícia foi saudada como uma grande revelação, como um aval para a sua utilização.

Ora, uma terapêutica em uso há mais de 2.000 anos, com sucesso no tratamento de bilhões de pessoas de precisa do aval de quem, cara pálida?

A mídia tende a confundir ciência com medicina. Isto é um engano! A medicina é uma arte e, como tal, vale-se de conhecimentos científicos,diferentes técnicas e conhecimentos acumulados pela prática de grandes médicos através da história e transmitidos de geração para geração.

O ser humano é por demais complexo para enquadrar-se ao saber científico sistematizado que, na história da humanidade, ainda engatinha. Muito do que se afirma científico hoje é baseado em hipóteses, que são apresentadas ao público leigo como verdades científicas. Daí a constante mudança de posições da ciência, pois as hipóteses, uma vez testadas em milhões de pacientes, muitas vezes mostram-se inúteis ou perigosas (lembra-so do Vioxx?).

A busca aumentada por medicinas alternativas na atualidade é também fruto da pretensa “cientificidade” da medicina alopática. O uso de tecnologias cada vez mais sofisticadas e o tratamento impessoal que os médicos alopatas dispensam aos seus pacientes, geraram o desejo de uma atmosfera mais humana e compreensiva por parte dos médicos. E este desejo encontrou ressonância nas medicinas alternativas, como homeopatia, acupuntura, terapia floral, etc.

Um problema sério entre as medicinas alternativas é o despreparo de muitos profissionais, que acreditam poder resolver tudo com sua intuição. Várias modalidades exigem formação adequada, e você precisa certificar-se de que o profissional que você pretende consultar é habilitado por uma instituição qualificada.

Portanto, lembre-se: a MEDICINA é ARTE, mas o artista tem que estar realmente preparado!

Oct 30

>> Isto é exatamente o que os homeopatas estão dizendo há duzentos anos. Não adianta acabar com as bactérias, temos que tornar o nosso corpo imune a elas. E um dado estatístico: nosso corpo abriga mais células de microrganismos do que nossas próprias células, ou seja, somos um habitat complexo que não pode ser restringido apenas pelo DNA das células. É preciso uma nova maneira de entender as doenças para que possamos ter realmente uma melhor saúde.

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Marília Martins, em O Globo

A crise ambiental da Terra não se restringe à natureza. Também no universo microscópico, dentro do corpo humano, há espécies ameaçadas de extinção por uma dramática e acelerada transformação do meio ambiente, e entre elas estão microrganismos que podem ser essenciais à vida humana. Quem faz o alerta é o pesquisador americano Martin Blaser, chefe do Departamento de Medicina da Universidade de Nova York (NYU, na sigla em inglês). Em suas pesquisas, ele revela um panorama impressionante da evolução das espécies no universo microscópico e do equilíbrio precário entre o organismo humano e os seres que nele vivem e que são essenciais à Humanidade.

- Se nós extinguíssemos todos os vírus e as bactérias hoje existentes, nós morreríamos também. A espécie humana desapareceria com eles – diz Blaser.

Defesas naturais estão em risco

O estudo de Blaser é muito maior do que um simples recenseamento dos micróbios que habitam o nosso organismo. A hipótese da equipe de pesquisadores do departamento de medicina da universidade é a de que as transformações do meio ambiente microscópico são tão poderosas que espécies inteiras de micróbios estão desaparecendo e, por incrível que pareça, essa não é uma boa notícia para os seres humanos.

Um exemplo é o da bactéria Helycobacter pylori, apontada como uma das causas de úlcera e de câncer de estômago, que se encontra atualmente em acelerado processo de extinção. Esta deveria ser uma ótima notícia para nós, seres humanos, que
temos estômago. Mas não é. Por quê?

- A presença dessa bactéria no organismo fez com que a espécie humana desenvolvesse uma série de antígenos que protegem as camadas interiores do estômago. Esses antígenos são transmitidos de uma geração para outra. Com o desaparecimento da bactéria, porém, estão sumindo também os antígenos. O resultado é que o organismo humano, para defender o estômago, agora mais desprotegido e vulnerável a ataques, tende a antecipar o processo digestivo para o órgão anterior ao estômago, o esôfago. Por isto, vemos hoje que, ao declínio dos casos de câncer de estômago, corresponde um
aumento dos pacientes de doenças do esôfago, inclusive câncer. Com um agravante: o câncer de estômago costuma aparecer em idade avançada, em pacientes acima dos 50 anos. Já as doenças graves de esôfago surgem em qualquer idade, até em crianças – frisa Blaser.

No fim das contas, a extinção de uma bactéria perigosa está levando a uma troca de doenças, que pode ser altamente desvantajosa para a espécie humana, na medida que ataca indivíduos mais jovens. Outra importante mudança no espectro dos microrganismos que hoje são mais perigosos para a espécie humana está relacionada às doenças auto-imunes, cada vez mais comuns, como o diabetes. São doenças em que a autodefesa do organismo falha e agentes externos se valem da fragilidade do sistema imunológico.

Para os pesquisadores da equipe de Blaser, as doenças auto-imunes se tornaram mais comuns por causa da crescente higienização do espaço urbano e do uso indiscriminado de antibióticos, que eliminou boa parte dos agentes infecciosos que atacavam o homem.

- A ociosidade do sistema imunológico pode ter levado à sua maior fragilidade. O resultado deste processo, outra vez, não foi a redução do número de doenças e sim a mudança do espectro de males que assombram a espécie humana – comenta Guillermo Perez-Perez, um dos pesquisadores assistentes da equipe da NYU.

Além de fazer estudos sobre bactérias relacionadas ao processo digestivo como a Helycobacter pylori e a Campylobacter, relacionada com a gastroenterite, a equipe de Blaser se dedica aos microrganismos que atacam a pele. Blaser fez um estudo famoso sobre o risco de contágio pelo Bacillus anthracis, agente da doença infecciosa, que começa na pele, conhecida pelo
nome de antraz. O bacilo foi enviado num envelope para o escritório de um político do Congresso americano, e Blaser foi mobilizado para fazer uma previsão dos riscos de contaminação. O pesquisador chegou a uma fórmula matemática para determinar a velocidade do contágio e mostrou que até cinco mil pessoas poderiam contrair a doença a partir de um único envelope. Isto levou a polícia americana a estabelecer uma série de precauções no tratamento da correspondência do Congresso.

A equipe de Blaser, que tem o ambicioso projeto de mapear as bactérias que habitam o corpo humano, fez uma experiência recente para fazer um primeiro recenseamento de microrganismos encontrados na pele humana. O resultado foi mpressionante: em amostras coletadas numa porção do antebraço de seis indivíduos sadios foram achadas 182 espécies, pertencentes a 91 gêneros e cerca de 8% eram desconhecidas dos cientistas. Alguns meses depois, foram coletadas novas amostras e novas espécies foram descobertas, que não tinham sido registradas anteriormente. Isto mostrou que na pele humana há bactérias residentes e outras que estão ali apenas de passagem.

- Estimamos que há no corpo humano algo entre 3 mil e 10 mil espécies de bactérias como residentes fixas. Em média, um bom zoológico tem entre cem e 200 espécies. Então nós já sabemos que, somente em nosso antebraço, temos a mesma quantidade de espécies bactérias que um bom zôo – diz Blaser.

O primeiro recenseamento limitou-se a indivíduos sadios, mas Blaser acredita que o número pode ser maior no caso de pessoas doentes:

- Nossa hipótese é que vamos descobrir espécies diferentes na pele de pessoas com doenças como psoríase ou eczema. Encontrar bactérias que sirvam de marcadores para determinadas doenças poderia levar à elaboração de métodos de diagnóstico e quem sabe até ao desenvolvimento de novas drogas – avalia o pesquisador.

Oct 29

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A notícia mais importante do dia é uma descoberta científica de geneticistas da Universidade de São Paulo: o cordão-umbilical jogado no lixo na maioria dos partos pode ser a chave para novos tratamentos com células-tronco. Hoje, os ainda poucos hospitais e empresas que oferecem bancos de células-troncos congelam apenas o sangue nos cordões – que pode ser usado só para o tratamento de doenças sangüíneas, como a leucemia. O cordão em si é jogado fora. A pesquisa mostrou que, no entanto, os cordões contêm uma grande quantidade de um tipo de células-tronco chamadas mesenquimais, que podem ajudar na recuperação de ossos, gorduras, cartilagens, músculos e até neurônios. Muitos cientistas esperam um dia aproveitar essas células na recuperação de corações enfartados e na reconstrução de tendões e ossos. Num adulto, esse tipo de célula pode ser obtido apenas por punção da medula óssea, um método invasivo e com possíveis complicações. “O recado fundamental é ‘não jogue fora o cordão’”, diz a geneticista Mayana Zatz, que coordenou a pesquisa. O processo de congelamento do cordão não requer tecnologia avançada e poderia ser praticado em qualquer hospital, diz a cientista. Tanto O Estado quanto a Folha trazem reportagens didáticas sobre a descoberta. A pesquisa completa está na revista científica Stem Cells.

Oct 15

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A Homeopatia é uma das modalidades de tratamento mais eficazes no tratamento da Fibromialgia, e seu efeito é muito aumentado quando associada à Acupuntura. Na maioria dos casos de Fibromialgia há uma história de traumas e sofrimentos emocionais persistentes, e muitos autores consideram esta doença uma parte de uma doença maior, a Depressão. Assim, a Homeopatia agiria exatamente sobre a causa, que é a Depressão, reduzindo os sintomas e melhorando o humor, trazendo bem estar para o paciente. A Fitoterapia, tratamento com plantas medicinais, também tem mostrado eficácia, tendo algumas plantas atingido grande sucesso, como a erva-baleeira, embora precisem de mais estudos para comprovar sua eficácia.

Aug 02

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Uma planta brasileira, usada popularmente contra várias doenças e como ingrediente de refrigerantes (Mineirinho e Mate Couro), pode ser eficaz contra hipertensão. Cientistas do Laboratório de Farmacologia Neuro-Cardiovascular do Instituto Oswaldo Cruz (IOC) descobriram que o extrato do chapéu-de-couro (Echinodorus grandiflorus) é vasodilatador.
A pesquisa de etnofarmacologia (ciência que estuda o uso popular de plantas) começou há quatro anos e mostrou a ação farmacológica da planta, típica de lugares pantanosos e comum nos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul. Na primeira fase, foi confirmado in vitro o efeito vasodilatador do extrato bruto da erva em artérias de coelhos. Essa comprovação levou os pesquisadores a analisar o poder vasodilatador da chapéu-de-couro no tratamento crônico de ratos hipertensos. Os cientistas constataram um efeito semelhante ao de medicamentos indicados contra a doença.
- O extrato teve ação anti-hipertensiva em animais, em laboratório. Usamos o extrato bruto, sem purificação. O próximo passo é fazer a avaliação toxicológica da chapéu-de-couro. Mas isso depende de novas pesquisas, que exigem investimento – diz o médico e farmacologista Eduardo Tibiriçá, chefe do Laboratório de Farmacologia Neuro-Cardiovascular do IOC.

Jul 31

>> Esta semana, a revista Época publica uma brilhante e elucidativa entrevista sobre como agem e o que buscam as indústrias farmacêuticas. Isto é o que está por trás de muitos ataques que a Homeopatia e as farmácias de manipulação recebem através da grande imprensa e do órgão governamental (ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária) que deveria zelar pela sua saúde antes de zelar pelos interesses financeiros dos gigantes da indústria farmacêutica. Leia com muita atenção esta entrevista, pois cada parágrafo mostra detalhes que o público em geral deveria desconhecer.

A entrevista foi concedida a Suzane Frutuoso:

Escritor sueco Peter Rost tornou-se o pesadelo da indústria farmacêutica. Ele foi demitido do cargo de vice-presidente de Marketing da Pfizer em dezembro de 2005, depois de acusar a companhia de promover de forma ilegal o uso de genotropin, um hormônio do crescimento. A substância era vendida como um potente remédio contra rugas. A empresa teria faturado US$ 50 milhões com o produto em 2002. No fim da década de 90, quando era diretor da Wyeth na Suécia, Rost denunciou também uma fraude na companhia: sonegação de impostos. Ele diz que agora se dedica a escrever o que sabe contra a indústria em seu blog e em livros. No começo do ano que vem, ele lançará Killer Drug (Remédio Assassino), história de ficção em que um laboratório desenvolve armas biológicas e contrata assassinos para atingir seus objetivos. “Mas eu diria que boa parte é baseada em fatos reais”, afirma.

ÉPOCA – O senhor comprou uma briga grande…
Peter Rost – Eu não. A diretoria da Pfizer é que começou a briga. Eu fazia meu trabalho. Certa vez, presenciei uma ação ilegal e cheguei a questioná-la. Fui ignorado. Quando falei o que sabia, eles me demitiram.

ÉPOCA – Depois das denúncias, houve algum tipo de ameaça?
Rost – Há cerca de um mês recebi uma, de um empresário indiano ligado ao setor. Ele disse que daria um jeito de acabar comigo. Nunca recebi ameaças das companhias. Elas são espertas demais para se expor desse jeito.

ÉPOCA – Como a indústria farmacêutica se tornou tão poderosa?
Rost – Eles ganham muito dinheiro, cerca de US$ 500 bilhões ao ano. E podem comprar a todos. Os laboratórios se tornaram donos da Casa Branca. O governo americano chega a negociar com os países pobres em nome deles. Como isso é feito? Os Estados Unidos pressionam esses países para que aceitem patentes além do prazo permitido (15 anos em média). Quando a patente se estende, os países demoram mais para ter acesso ao medicamento mais barato. E, se as nações pobres não aceitam a medida dos americanos, correm o risco de sofrer retaliação e de nem receber os medicamentos. Essa atitude é o equivalente a um assassinato em massa. Pessoas que dependem dos remédios para sobreviver, como os soropositivos, poderão morrer se o país não se sujeitar a esse esquema.

ÉPOCA – O Brasil quebrou a patente do medicamento Efavirenz, da Merck Sharp & Dohme, usado no tratamento contra a aids. O governo brasileiro acertou?
Rost – Sim. O governo brasileiro não tinha escolha. Ele tem obrigação com os cidadãos do país, não com as corporações internacionais preocupadas com lucro. O que é menos letal? Permitir que a população morra porque não tem acesso a um remédio ou quebrar uma patente? Para mim, é quebrar a patente. A lei de patente foi justamente estabelecida para incentivar a criação de medicamentos. Seria uma garantia para que os laboratórios tivessem lucro por um bom tempo e uma vantagem em troca de todo o dinheiro empregado durante anos no desenvolvimento de uma droga. Mas, se bilhões de pessoas estão sem tratamento, porque as patentes estão sendo prolongadas e os medicamentos continuam caros, há sinais de que a lei não funciona. Ela foi feita para ajudar, não para matar.

ÉPOCA – As práticas de venda da indústria farmacêutica colocam em risco a saúde da população mundial?
Rost – Não tenha dúvida. Basta lembrar o caso do Vioxx, antiinflamatório da Merck Sharp & Dohme retirado do mercado em 2004 por causar ataque cardíaco em milhares de pessoas pelo mundo.

ÉPOCA – Então, não podemos mais confiar nos laboratórios?
Rost– Não, não podemos confiar. A preocupação principal deles é ganhar dinheiro. As pessoas têm de se conscientizar disso. Cobrar posições claras de seus médicos, que também não são confiáveis, pois seguem as regras da indústria. Eles receitam o remédio do laboratório que lhes dá mais vantagens, como presentes ou viagens. É uma situação difícil para o paciente. Por isso, é importante ter a opinião de mais de um médico sobre uma doença. E checar se ele é ligado à indústria. Como saber? Verifique quantos brindes de laboratório ele tem no consultório. Se houver mais de cinco, é mau sinal.

ÉPOCA – Os laboratórios são acusados de ganhar dinheiro ao lançar remédios com os mesmos efeitos de outros já no mercado. O senhor concorda com essas acusações?
Rost – Sim. Eles desenvolvem drogas parecidas com as que já estão à venda. Não necessariamente são as mesmas substâncias químicas. No geral, são as que apresentam os mesmos efeitos colaterais. É por isso que existem dezenas de antiinflamatórios e de antidepressivos. É muito fácil criar um remédio quando já se conhecem os resultados e as desvantagens para o paciente. O risco de falha e de perder dinheiro é muito baixo. Os laboratórios não estão pensando no benefício do paciente. É pura concorrência.

ÉPOCA – É por isso que não se investe em tratamentos para doenças como a malária, mais comuns em países pobres?
Rost – Não há interesse em desenvolver medicamentos que possam acabar com doenças conhecidas há décadas. Os países pobres não podem pagar essa conta. O Brasil é visto pela indústria farmacêutica internacional como um mercado pequeno. Ela se baseia em dados de que apenas 10% dos brasileiros têm condições de pagar por medicamentos. Para eles, esse número não significa nada.

ÉPOCA – Segundo uma teoria, os laboratórios “criam” doenças para vender medicamentos. Isso é real?
Rost – É o caso da menopausa. Sei que as mulheres passam por problemas nesse período da vida. Mas não classifico a menopausa como doença. As mulheres usam medicamentos com estrógeno para amenizar calores e melhorar a elasticidade da pele. Os laboratórios se aproveitaram dessas reações naturais da menopausa e as classificaram como graves. Quando as mulheres tomam os remédios, sofrem infarto como efeito colateral.

ÉPOCA – As práticas ilegais da indústria farmacêutica são piores que as de outros setores, como o de tecnologia?
Rost – Sim, porque os laboratórios lidam com vida e morte. Você não vai morrer se a televisão ou o DVD não funcionarem direito.

ÉPOCA – Não devemos levar em consideração que, hoje, graças à pesquisa dos laboratórios, foi descoberta a cura para várias doenças e há maior qualidade de vida?
Rost – Claro que sim. Os laboratórios fizeram muita coisa boa. Em troca de muito dinheiro.

QUEM É PETER ROST
Médico, ex-vice-presidente de Marketing da Pfizer. Demitido por denunciar práticas ilegais do laboratório. Ganhou US$ 35 milhões no processo contra a empresa
VIDA PESSOAL
Casado e pai de dois filhos, nasceu na Suécia e mora nos Estados Unidos
O QUE PUBLICOU
The Whistleblower: Confessions of a Healthcare Hitman (O Denunciante: Confissões de um Combatente do Sistema de Saúde), lançado em 2006 nos EUA e inédito no Brasil

Jul 23

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Plantas Medicinais

(Moacyr Pezati Rigueiro)

 

Plantas medicinais são aquelas que podem ser usadas no tratamento ou na prevenção de doenças. Toda planta medicinal tem no mínimo um princípio ativo, que é a substância responsável pelo efeito curativo. É interessante notar que para o efeito medicinal existir, deve estar presente o princípio ativo, mas é também muito importante o que se chama de fitocomplexo. Fitocomplexo é o conjunto de todas as substâncias presentes na planta (vitaminas, sais minerais, resinas etc.), e que agem juntamente com o princípio ativo, melhorando o efeito. A explicação para essa melhora do efeito é que as demais substâncias podem facilitar a absorção e o aproveitamento do princípio ativo pelo organismo.

Por isso, no tratamento com plantas medicinais tudo deve ser feito para preservar ao máximo o fitocomplexo. Assim, algumas plantas não podem ser fervidas, outras só podem ser colhidas em algumas épocas do ano, de outras só se usam as flores e assim por diante, sempre de maneira a não se perder o fitocomplexo ou de aproveitá-lo da melhor forma possível.

É curioso saber que a palavra droga (sinônimo de remédio ou medicamento) quer dizer “erva seca” e daí o nome de drogaria; na verdade, muitos dos remédios tradicionais (alopáticos) são retirados de plantas.

Apesar do homem usar plantas medicinais desde milhares de anos antes de Cristo e muitas delas serem conhecidas no mundo todo, ainda há uma enorme quantidade de plantas sobre as quais a Medicina sabe muito pouco ou mesmo nada conhece; algumas são usadas por índios e camponeses e, futuramente, talvez o tratamento para muitas doenças hoje incuráveis venha dessas plantas.

Mas… as plantas podem realmente curar doenças?

Nenhum médico duvida que sim. Pois, apesar de todo o progresso da medicina, atualmente ainda uma série de medicamentos muito importantes são extraídos ou derivados de substâncias retiradas de plantas. Os exemplos são numerosos: a morfina, um dos mais poderosos remédios contra a dor, é extraída da papoula (Papaver somniferum; a atropina, muito usada contra cólicas, é retirada da beladona (Atropa

belladonna); a digitalina, que é um tônico para o coração, é encontrada na dedaleira (Digitalis purpurea); a aspirina, um derivado do ácido saliclico encontrado no salgueiro ou chorão (Salix babylonica). Até mesmo a penicilina, um dos antibióticos mais usados,

é produzida naturalmente por fungos do gênero penicillium; os fungos são primos dos vegetais como as plantas mais conhecidas e são representados pelos cogumelos, pelos vários tipos de mofos ou bolores e pelos levedos (fermentos) do pão e da cerveja, por exemplo. Alguns fungos podem causar doenças nas plantas, nos animais e no homem.

Qual é então a diferença entre o tratamento tradicional da Medicina (alopatia) e o tratamento com plantas?

A diferença é que a Medicina Alopática, depois de descobrir o princípio ativo de uma planta, extrai e purifica esse princípio ou até mesmo consegue passar a produzi-lo em laboratórios com técnicas cada vez mais sofisticadas, de modo que dispõe da droga pura, sabendo exatamente, por exemplo, quantos gramas do princípio ativo existem num comprimido ou numa medida de xarope. Estudando então esse princípio ativo em

laboratórios, em milhares de testes com animais, pode saber muito bem qual a dose ideal para o efeito desejado, se a droga tem alguma contra-indicação (que perigos pode apresentar), quais são os efeitos colaterais e mesmo qual a dose letal ou seja, a dose que pode causar a morte por envenenamento.

Com as plantas é mais difícil saber exatamente esses detalhes todos, pois ocorrem variações no teor do princípio ativo de acordo com a quantidade de sol, de água e de cuidados que a planta recebe. É comum no mesmo pomar, por exemplo, uma laranjeira dar laranjas maiores e mais doces que outra distante dela apenas alguns metros. Mas ser diferente não significa ser pior ou melhor…

Jul 11

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A revista médica British Medical Journal publicou em sua edição de 15 de dezembro  um artigo que mostra diferenças entre os resultados de experimentos com medicamentos em ratos e humanos. Em alguns dos medicamentos testados o efeito em homens foi oposto ao obtido em ratos.
Enquanto isso, um dos pilares da HOMEOPATIA é experimentar os medicamentos em pessoas saudáveis. Funciona assim: um grupo de pessoas saudáveis toma um remédio durante um prazo e observa e anota tudo de diferente naquele período. Depois os resultados de todos são comparados e anotados os resultados similares. Com isso, ficamos conhecendo o efeito que aquela substância pode causar numa pessoa. E como o princípio da HOMEOPATIA é “Curar o semelhante pelo semelhante”, quando alguma pessoa doente apresenta aqueles sintomas da substância, esta substância será capaz de curar sua doença. Esta é uma diferença radical da HOMEOPATIA em relação à alopatia!

Apr 29

O Ministério da Saúde, instituiu em 2003 um grupo de trabalho para estudar a implantação no SUS de práticas integrativas e complementares, traduzindo, medicina “alternativa”. Este grupo elaborou propostas que se tornaram leis (Portarias Ministeriais nº 971 em 3 de maio de 2006 e nº 1600 em 17 de julho de 2006). Estas práticas que fazem parte da chamada PNPIC (Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS) são: HOMEOPATIA, MEDICINA TRADICIONAL CHINESA – ACUPUNTURA, MEDICINA ANTROPOSÓFICA, PLANTAS MEDICINAIS – FITOTERAPIA e CRENOTERAPIA – TERMALISMO (tratamento com águas medicinais).

Ótima notícia, não é?

A má notícia é que nas Portarias Ministeriais citadas não há referência a fontes de recursos (o dinheiro para pagar os profissionais) nem critérios para tirar do papel e tornar realidade. Ou seja, falta a Regulamentação da PNPIC.

Por isto, precisamos nos unir para defender a medicina “alternativa”, e um passo fácil e ao alcance de todos é assinar um abaixo-assinado que circula na internet no endereço http://www.semelhante.org.br/10_abaixoassinado_02_formulario_01_form.asp e encontra-se disponível em diversas farmácias homeopáticas, pedindo a Regulamentação Já. Participe, fale com seus familiares e amigos, divulgue o máximo possível. Vamos democratizar a saúde alternativa!

Mar 19

Por isso é importante a avaliação médica!!!!

Publicada em 07/11/2006 às 12h15m
Luciana Ackermann – O Globo Online
RIO – A depressão senil e a doença de Alzheimer estão entre os principais problemas de saúde que afetam os idosos. Embora sejam comuns, são doenças facilmente
confundidas e difíceis de ser corretamente diagnosticadas. Os sintomas da depressão como o desinteresse, a tristeza, a apatia, a perda do apetite, a perda de peso e a insônia também podem fazer parte do quadro das vítimas do Alzheimer. Já os sintomas do Alzheimer diferem do quadro da depressão. Nele, ocorrem esquecimentos de fatos da vida diária,
desorientação no espaço e no tempo, problemas de atenção e de aprendizado. As diferenças sutis entre as duas doenças serão debatida durante a II Jornada de Excelência
Médica, que acontece no dia 29 de novembro, no Hotel Windsor, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.
O psiquiatra Jerson Jlaks, professor adjunto da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Coordenador do Centro para
Alzheimer do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ressalta que, diante de qualquer indício de uma das duas doenças, é importante que
seja feito um diagnóstico, o mais rápido possível, para que o tratamento adequado seja aplicado. São realizados exames laboratoriais, como tomografia computadorizada, e
uma série de testes, que seguem critérios e escalas internacionais.
As primeiras manifestações da doença de Alzheimer são caracterizadas por pequenos lapsos de memória que podem passar despercebidos durante anos, até a pessoa esquecer
o endereço de casa ou estranhar a fisionomia de um filho. Pouco a pouco o doente desliga-se totalmente de sua realidade, podendo intercalar situações em que está aparente
normal, com outras em que deixa de conhecer mesmo os familiares mais íntimos.
O diagnóstico preciso é fundamental para o tratamento. Um idoso com depressão pode ser curado a partir do uso de medicamentos, em geral, antidepressivos. Já no
Alzheimer, os medicamentos são capazes de reduzirem a velocidade da evolução da doença.
- O fato de a pessoa entrar na terceira idade não é motivo para ter depressão. Isso não é natural. Assim como os esquecimentos de fatos diários, como perguntar se o almoço
será servido, sendo que ele já almoçou, que podem indicar o início do Alzheimer, também não podem ser vistos como normais – afirma Jlaks.
Ele alerta que cerca de 10% dos idosos têm depressão. Em geral, a depressão é provocada pelo desequilíbrio dos sistemas de neurotransmissão, especialmente na liberação
serotonina, noradrenalina e dopamina. Qualquer pessoa pode ser vítima dessa doença, mas é importante procurar ajuda logo que os primeiros sinais se manifestem. Assim, a
possibilidade de levar uma vida normal certamente será maior.
É o caso de Vitório, de 83 anos. Sua filha Elizete Saporito Lopes, de 61 anos, conta que após se
aposentar, Vitório passou a ter crises de soluços, forte apatia e lapsos de memória. A família chegou a pensar que seria Alzheimer. Mas a partir da avaliação médica, a
conclusão foi a de que ele estava depressivo.
Depois de tomar a medicação prescrita pelo médico, Vitório teve uma melhorar significativa, segundo a filha. O neurologista Oscar Bacelar, PhD pela Universidade de Basel,
na Suíça, em doenças neurodegenarativas, faz coro ao alerta de Jlaks, quanto mais cedo a doença for diagnosticada mais ajuda terão os médicos para retardar a evolução do
mal e combatê-lo com medicamentos específicos. Ele aponta que no Brasil 1,2 milhão de idosos tem Alzheimer. Dessa população, 20% ultrapassaram os 85 anos.
Ele ressalta que é o idoso mantenha seu contato social através de atividades interativas como bailes, cursos de artesanato, contato com outras pessoas tanto da mesma idade
quanto de faixa etária diferentes. A proporção de pessoas com a doença dobra a cada cinco anos a partir dos 65 anos de idade.
Normalmente o diagnóstico é feito pelo menos um ano depois dos primeiros sintomas que costumam ser leves e confundidos como normais no envelhecimento.

Jan 26

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Elisabeth Kübler-Ross, médica, é a mulher que mudou a maneira como o mundo pensava sobre a morte e o morrer. Através de seus vários livros e muitos anos de trabalho com crianças, pacientes de AIDS e idosos portadores de doenças fatais, Kübler-Ross trouxe consolo e compreensão para milhões de pessoas que tentavam lidar com a própria morte ou com a de entes queridos. Hoje, enfrentando a perspectiva da morte aos setenta e um anos, essa médica internacionalmente famosa conta a história de sua vida e aprofunda sua verdade final: a morte não existe.

Escrita com franqueza e entusiasmo, a autobiografia de Kübler-Ross reconstitui o desenvolvimento intelectual e espiritual de um destino. As convicções que enfrentaram dogmas, preconceitos e críticas, já estavam presentes na menina suíça, quando a jovem Elisabeth se viu pela primeira vez diante das injustiças do mundo e jurou acabar com elas.

Do seu trabalho na Polônia devastada pela guerra à sua forma pioneira de aconselhamento terapêutico aos doentes terminais, a seus já lendários seminários sobre a morte e o processo de morrer na Universidade de Chicago, às suas surpreendentes conversas com os que reviveram depois da morte, cada experiência proporcionou a Kübler-Ross uma peça do quebra-cabeça. Em uma cultura determinada a varrer a morte para debaixo do tapete e escondê-la ali, Kübler-Ross desafiou o senso comum ao trazer e expor essa etapa final da existência para que não tivéssemos mais medo dela.

Sua história é uma aventura do coração, vigorosa, controvertida, inspiradora, um legado à altura de uma vida extraordinária.

“As pessoas sempre me perguntam como é a morte. Digo-lhes que é sublime. É a coisa mais fácil que terão que fazer. A vida é dura. A vida é luta. Viver é como ir à escola. Dão a você muitas lições a estudar. Quanto mais você aprende, mais difíceis ficam as lições. Quando aprendemos as lições, a dor se vai.”

“Sei muito pouco sobre a filosofia da reencarnação. Não foi o tipo de educação que recebi. Mas sei agora que existem mistérios da mente, da psiquê, do espírito, que não podem ser examinados em microscópios ou testados com reações químicas. Com o tempo, saberei mais. Com o tempo, vou compreender.”

(Agradeço à Rosângela, psicóloga de Juiz de Fora que apresentou um excelente trabalho sobre a biografia dela no curso de formação de terapia biográfica.)

Marcelo Guerra

Jan 26

Paralogismos do jornalismo cientifíco

Por Paulo Rosenbaum em 23/1/2007

A vida só apreende a vida pela mediação das unidades de sentido que se elevam acima do fluxo histórico. Wilhelm Dilthey (1833-1912)

Na edição de terça-feira (16/1) New York Times, Dan Hurley publicou um artigo cujo titulo despertou considerável curiosidade dos leitores pelo mundo – “Diet Supplements and Safety: Some Disquieting Data” cuja tradução aproximada poderia ser “Suplementos dietéticos e segurança: alguns dados inquietantes”. O articulista apresenta dados perturbadores sobre o uso e repercussões de produtos livremente comercializados como suplementos vitamínicos, óleos essenciais e ervas.

De acordo com os relatórios da Associação Americana do Centro de Controle de Envenenamentos citados Hurley, consumir suplementos vitamínicos e óleos essenciais pode representar um risco epidemiológico significativo para a população. Em 1983 relatou-se 14.006 casos, em 2005 foram 125.595 incidentes relatados a partir de consumo de suplementos vitamínicos e produtos congêneres. Números modestos se comparados ao que o National Institute of Health – em seu relatório de 2006, Congressional Justification – revela no item “Por que as pessoas diferem no modo como respondem às drogas” em relação aos fármacos convencionais, quando lamenta que “infelizmente a maior causa de mortes nos Estados Unidos são por reações adversas as drogas”[ver aqui].

De 1989 a 2004, o Food and Drug Administration, continua Hurley, recebeu relatórios com o registro de 260 mortes associadas a medicinais/" title="View all posts filed under ervas medicinais">ervas medicinais e outros produtos não vitamínicos. São informações relevantes, pois a maior parte destes produtos são livremente comercializados. Em farmácias não ficam sequer atrás de balcões com acesso restrito. Qualquer cidadão, cá ou lá, pode abarrotar sua cesta ou carrinho de supermercado com variedade de produtos do gênero – de vitaminas a compostos naturais industrializados – cuja indicação é, em geral, tanto imprecisa como perigosa.

Funciona ou não?

Apesar do déficit analítico da matéria, aí reside o mérito deste alerta que desmonta a crença do senso comum de que o “natural” – com toda a crítica da mitologia que o termo comporta – é, no máximo, inócuo. Um aspecto inusitado é que Hurley incluiu nesse pacote de substâncias nocivas os medicamentos e “produtos” homeopáticos. Sem muitos detalhes, revela que em 2005 foram 7.049 relatos de reações, incluindo 564 hospitalizações e dois óbitos.

Apenas para situar o problema, apresento breve contexto. Entre boa parte dos pesquisadores que investigam substâncias ultradiluídas acredita-se que elas realmente podem ser nocivas à saúde se ingeridas sem os devidos cuidados, orientação e assistência médica. Não há segredo algum. Estabelecido está que todo fármaco pode induzir reações adversas, das banais às mais potentes. Dependerão diretamente da sensibilidade e das idiossincrasias do sujeito. Por isto mesmo, muitas vezes, a única e abençoada prevenção é a excessiva cautela na utilização de qualquer produto farmacêutico (natural ou não) ou suplemento alimentar.

De todo modo, o que parte da mídia científica mundial, incluindo revistas médicas importantes, tem relatado nas mais recentes polêmicas (e aqui reside o paralologismo) é que as substâncias infinitesimais são suspeitas – não de toxicidade – mas exatamente do oposto. São suspeitas de não apresentarem quaisquer efeitos biológicos detectáveis. Nem in vitro (em laboratórios) nem in vivo (em seres humanos).

É claro que são conclusões parciais, portanto contestáveis uma vez que um olhar hermenêutico determinaria resultados distintos. Experimentações em seres humanos, estudos observacionais e qualidade de vida em saúde, por exemplo, contraditam fortemente estas conclusões de inação.

Eis um aspecto desafiador. Se o Food and Drug Administration pode constatar empiricamente que, sim, há efeitos adversos em fármacos homeopáticos e eles são significativos, como é que, com a obstinação estóica de um mantra, costuma-se acusá-los (eles, os fármacos) de serem substâncias farmacologicamente inertes?

Na verdade, este tem sido o instransponível obstáculo epistemológico, uma espécie de Rubicão da homeopatia desde sua fundação, já que não há suporte científico consensual para explicar o mecanismo de ação dos medicamentos. Isto significa o seguinte: o descarte se dá uma hora pelo mais, outra hora pelo menos. A célebre pergunta “funciona ou não funciona?”, doravante passa a carrear insuportável ambigüidade: “Funciona. Apenas para intoxicar”. Mas, um momento! Substâncias infinitesimais não são nem mesmo “substâncias” strictu senso. Se não há sequer vestígio de princípio ativo, nem alguma outra evidência validada, como é que podem determinar tais ações?

Vida prática

Deparamos – e o artigo do New York Times é apenas uma pálida amostra – com um diagnóstico superficial de reprodução mecânica e acrítica de dados que reverberam, impactando a sociedade e a comunidade de usuários com desinformação. Só para oferecer uma cifra, calcula-se em cerca de 180 milhões de europeus os consumidores de medicamentos homeopáticos. Além do critério duplo, o surpreendente aqui é o tamanho do paralogismo.

Ficaríamos assim: um dos jornais mais influentes do mundo anuncia que medicamentos homeopáticos envenenam. Mas até bem pouco não havia nada ali nos frascos, apenas água. Efeitos seriam apenas miragens dos crentes, efeitos-placebo. Pois assim posto, ou está em curso uma notável epidemia de efeitos-placebo nos centros de monitoramento de envenenamentos ou um fenômeno que, verificado, deveria encabeçar a lista de investigações gerando, inclusive, fomento público para pesquisas.

O corolário seguiria com as seguintes inquietações: serão falsos os remédios? Há venenos ativos nas doses infinitesimais? Se há, tudo deve ser reavaliado. As restrições sobre a veracidade da ação deveriam ser substituídas por desejo de conhecer melhor esses acidentes clínicos, surgidos na vida prática da sociedade mais industrializada do planeta. Seria cabível pensar que tais fatos ocorrem porque – sem teorias conspiratórias, mas apenas suposições comerciais – todas as indústrias farmacêuticas estimulam o consumo e a automedicação?

Teorias e verificações

Mas há outra opção mais arrojada: avaliar sociologicamente o que está acontecendo com o jornalismo científico. Sabemos que a lógica em si mesma é insuficiente para dar conta de exigências e possibilidades de validade que, conforme nos mostrou Thomas Kuhn, ampara-se em valores e necessidades de uma dada cultura, em um determinado momento histórico.

Ou seja, impõe-se reconhecer a não universalidade e a não univocacidade dos padrões normativos de uma determinada ciência. Em seu clássico a Estrutura das Revoluções Cientificas, Kuhn nos avisou que há um único aspecto inadiável na análise do desenvolvimento das teorias e verificações cientificas: a psicosociologia da ciência e a compreensão das motivações, sentidos e significados de seus discursos. Ele sabia exatamente a duração e o alcance desta formulação.

Neste caso, a pauta é urgente.

Jan 21

Luciana Ackermann O Globo Online

RIO – Quem costuma ir à farmácia comprar um remédio para aliviar o mal-estar ou qualquer dor rotineira deve tomar cuidado para não ficar pior e prejudicar a saúde. Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Farmacêuticas (Abifarma), todo ano cerca de 20 mil pessoas morrem no país, vítimas da automedicação. A maior incidência de problemas relacionados à prática está ligada à intoxicação e às reações de hipersensibilidade ou alergia.

Muito comum entre os idosos, o hábito de se automedicar representa um risco iminente à saúde. Em geral, eles já apresentam doenças crônicas e fazem o uso de medicamentos recomendados pelos médicos. Ao usar outros remédios, eles podem desestabilizar os tratamentos a que vêm sendo submetidos, assim como provocar uma intoxicação.

Segundo pesquisa realizada pela Secretaria Especial da Terceira Idade do Rio de Janeiro, das 2.019 pessoas entrevistadas, acima de 60 anos, 44% delas admitiram que usam medicamentos sem prescrição médica.

Marianela Flores Hekman, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), diz que em seu dia-a-dia como geriatra são comuns os relatos de pacientes que passaram a tomar determinados medicamentos a partir das recomendações de vizinhas, amigas, parentes e farmacêuticos.

- Isso é um perigo porque os medicamentos prescritos por médicos já têm efeitos colaterais que são monitorados pelo profissional. Por isso, tem de seguir à risca os horários e a quantidade indicada. Qualquer nova substância pode desencadear novos efeitos. Então, antes de tomar qualquer remédio é preciso perguntar a opinião do médico. Até mesmo o uso de fitoterápicos e de vitaminas deve ser informado. O ideal é que o idoso faça um resumo de todos os medicamentos ou leve as caixinhas deles para que o médico saiba tudo o que está se passando com o paciente de forma global – afirma Marianela.

Ela contou que já atendeu uma paciente com hemorragia digestiva provocada pela ingestão de um xarope contendo babosa e álcool.

- Foi bem difícil diagnosticar o que poderia ter provocado a hemorragia porque essa senhora não contou que estava tomando o xarope e todos os outros medicamentos estavam controlados e administrados de forma correta -

Ela também citou uma pesquisa da Universidade Luterana do Brasil (ULBRA) onde 40,7% dos idosos entrevistados em Canoas, no Rio Grande do Sul, têm o hábito de se automedicar.

De acordo com Antonio José Carneiro, professor adjunto e doutor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ulbra), os analgésicos, os antiinflamatórios e os antigripais são os medicamentos mais usados indevidamente pelos idosos. Porém, ele ressalta que mesmo os remédios aparentemente inofensiveis podem causar complicações.

No caso dos analgésicos, cujo princípio ativo é o ácido acetilsalicílico, o uso indiscriminado pode causar lesão aguda na mucosa gástrica e é contra-indicado em pacientes que já tiveram úlceras. Também possui ação anticoagulante que pode provocar sangramentos e hemorragias internas. Já os antiinflamatórios podem causar descompasso no quadro daqueles que têm problemas cardíacos, renais, além do aumento de pressão arterial. Os antigripais também podem aumentar a pressão arterial, além da intra-ocular e os batimentos cardíacos. Alguns deles também possuem substâncias que podem afetar a próstata gerando a retenção urinária.

Destaca-se que o consumo de medicamentos sem prescrição, tem sido favorecido pela multiplicidade de produtos farmacêuticos lançados no mercado e pela publicidade que os cerca, pela simbolização da saúde que o medicamento pode representar e pelo incentivo ao autocuidado, além de outros fatores.