Archive for the ‘drogas’ Category

Aug 11

Christiane F. voltou às drogas, dizem jornais alemães

A alemã Christiane Felscherinow -protagonista do best-seller da década de 80, “Eu, Christiane F., 13 anos, drogada, prostituída”- voltou a ganhar destaque na imprensa alemã por, supostamente, ter voltado ao vício, aos 46 anos de idade.

Uma reportagem do tablóide berlinense B.Z. diz que a recaída foi um dos motivos que levou as autoridades do país a assumir a guarda do filho de Christiane, de 11 anos.

De acordo com o jornal, o menino está morando em um abrigo para crianças nas redondezas de Berlim, e os avós do garoto deverão ajudar a decidir onde será sua futura moradia.

Christiane F. tomou a primeira dose de heroína aos 13 anos e aos 14 começou a se prostituir para sustentar o vício.

Fuga
O novo drama de Christiane teria começado no início deste ano, quando ela e o namorado decidiram emigrar para Holanda, levando o menino.

Ao ter conhecimento do plano, o juizado de menores tomou a criança da mãe, com ajuda de policiais. Pouco tempo depois, ela seqüestrou o próprio filho e fugiu para Amsterdã. Na capital holandesa, Christiane teria voltado a consumir heroína.

Após brigar com o namorado, a alemã voltou no fim de junho à Alemanha e, ainda no trem, entregou seu filho à Polícia Federal alemã.

Segundo a imprensa local, amigos e conhecidos contam que Christiane tem buscado as antigas amizades da época das drogas, passa a noite na casa de amigos e freqüenta uma praça de Berlim famosa como ponto de venda de entorpecentes.

O tablóide “Bild” cita a mãe de Christiane, que teria visitado o neto duas vezes no abrigo infantil. Ela se disse “chocada” com a situação e não sabe o que fazer para ajudar a filha.

De acordo com o periódico, o juizado afirmou que a criança só poderá voltar ao convívio da mãe caso Christiane supere seus problemas psiquiátricos e a dependência de drogas.

Recaídas
Após uma trajetória de repetidas tentativas de desintoxicação, a alemã parecia ter vencido a luta contra as drogas apesar de ter admitido, durante uma entrevista à televisão alemã em maio do ano passado, que temia “recaídas”.

Christiane ainda disse que ingeria com freqüência a metadona, um medicamento usado na terapia para dependentes de heroína.

“Tomo diariamente uma dose pequena”, afirmou, contando ter medo de enfrentar novos problemas que a impedissem de criar seu filho.

“De outra forma, não sei o que aconteceria”, disse Christiane F. na época. “A metadona é para mim uma segurança, para que eu não caia num buraco.”

Desempregada, dizia ainda se sentir à margem da sociedade, tendo como sua principal fonte de renda o dinheiro que recebe mensalmente pelos direitos do romance que a tornou famosa.

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Jan 10

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De O Globo

RIO - Têka perdeu os movimentos do corpo e não fala há um ano e oito meses. Ela teve um derrame quatro meses depois que começou a tomar um remédio para emagrecer, por conta própria. Os brasileiros são campeões mundiais no consumo de inibidores de apetite. Para reverter esse quadro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aumentou o controle sobre a venda desses medicamentos. As novas regras já estão em vigor.

Uma das medidas limita a quantidade do remédio que o médico pode prescrever em cada receita. Antes, era permitido um estoque para até dois meses; agora, o paciente só poderá comprar o necessário para um mês de tratamento.

O presidente da Anvisa, Dirceu Raposo, diz que essa nova restrição vai ajudar também a combater um tipo de venda ilegal.

- A prescrição de uma receita de três caixas muitas vezes levava o paciente, pelo custo do tratamento, a adquirir apenas uma caixa. Assim, a receita autorizava a farmácia a ficar com as duas caixas que não foram comercializadas. Isso poderia levar à comercialização por um mercado paralelo - explica.

A resolução determina ainda as doses máximas de cada substância que o paciente pode tomar e proíbe o uso de inibidores associado com laxantes, diuréticos, remédios para ansiedade ou depressão.

- Se o paciente procurar um médico e ele orientar mudança de vida, atividade física e nutrição, faça; se o paciente sair com uma receita com mais de um medicamento, desconfie - ensina Neuton Dornelas Gomes, presidente regional da Sociedade Brasileira de Endocrinologia.

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Nov 08

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O Globo Online e Reuters

RIO - A Comissão de Segurança de Produtos para o Consumidor Americano determinou o recall de 4,2 milhões de brinquedos Bindeez, fabricados na China, que conteriam uma substância perigosa, chamada GHB , que é usada na droga colocada em bebidas de vítimas do golpe “boa noite cinderela”. Mattel também anunciou um novo recall nesta semana .

Com o Bindeez, um brinquedo muito popular, as crianças montam desenhos colando minúsculas bolinhas coloridas com água.
Nos Estados Unidos, o elemento químico encontrado no brinquedo teria levado cinco crianças que ingeriram suas bolinhas a vomitar e perder a consciência. As autoridades australianas também anunciaram a proibição nacional da venda do produto, premiado brinquedo do ano no país, depois que três crianças foram hospitalizadas.

O Bindeez também é encontrado no Brasil, onde é distribuído pela empresa Long Jump, que faz até um concurso das “bolinhas mágicas que se juntam com água”, para premiar as montagens mais criativas das crianças. O produto custa entre R$ 17 e R$ 20, nas principais lojas especializadas e de departamento. A distribuidora do brinquedo aqui ainda está avaliando as notícias para anunciar sua decisão.
Brinquedo prometia ser o best-seller deste Natal

Nos Estados Unidos, o brinquedo era vendido desde abril, com preços que oscilavam entre US$ 17 e US$ 30 e prometia ser o best-seller de vendas deste ano. Foi indicado recentemente pela rede Wal-Mart entre os 12 principais do Natal, mas, nesta quinta-feira, já tinha sido retirado da lista do site da rede de varejo e aparecia como “não disponível no estoque”.

De acordo com os técnicos que realizaram os testes nestes brinquedos, a substância, uma vez metabolizada, transforma-se na droga GHB, disse à CNN o porta-voz da Comissão de Proteção ao Consumidor Americano, Scott Wolfson.
As crianças que ingerem as bolinhas podem entrar em coma, desenvolver problemas respiratórios ou ter convulsões - avisou.

- Quem tiver esses brinquedos em casa deve jogá-los fora - acrescentou Julie Vallese, outra porta-voz da comissão.

Pouco antes, a Comissão de Segurança de Produtos para o Consumidor Americano havia anunciado outro recall de 403 mil brinquedos fabricados na China, incluindo 380 mil carrinhos vendidos na rede de lojas Dollar General, devido aos altos níveis de chumbo encontrados na pintura dos produtos. Nos últimos meses, esse tem sido o principal problema dos brinquedos que sofreram recall. O chumbo é tóxico e pode acarretar graves problemas de saúde às crianças.

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Sep 11

>> Esta semana, a Revista Época publicou uma entrevista que reflete um comentário que fiz há algum tempo no blog Encanto, da Elisabete Cunha.

Sociólogo americano diz que a psiquiatria transformou um sentimento normal em um problema médico

por SUZANE FRUTUOSO

 

Ficar triste dói. o sentimento pode ser passageiro ou durar muito tempo. Mesmo nesses casos, não significa que ele só possa ser superado com remédios, diz o sociólogo americano Allan V. Horwitz. O livro que lançou nos Estados Unidos em julho, The Loss of Sadness: how Psychiatry Transformed Normal Sorrow into Depressive Disorder (A Perda da Tristeza: como a Psiquiatria Transformou a Tristeza Comum em Desordem Depressiva), em parceria com o psiquiatra Jerome Wakefield, é uma tentativa de alertar sobre o que considera um excesso de diagnósticos de depressão.

ÉPOCA – O que significa a “perda da tristeza” que dá nome ao livro?

Allan V. Horwitz – Tristeza é a resposta normal a perdas que sofremos na vida. Agora se tornou comum chamá-la de “depressão”. Algo normal foi transformado em doença. A cultura dos antidepressivos transformou em doença dificuldades que fazem parte da vida.

ÉPOCA – Segundo calcula a Organização Mundial da Saúde (OMS), 121 milhões de pessoas no mundo sofrem de depressão. O que o senhor acha desse número?

Horwitz – É uma estimativa muito elevada. A OMS usa os sintomas da tristeza, que até podem ser os mesmos da depressão, sem considerar o contexto do acontecimento que deixou a pessoa triste. Incluem na mesma estatística quem sente uma tristeza normal e quem realmente é depressivo.

ÉPOCA – Que sintomas caracterizam a tristeza e a depressão?

Horwitz – Segundo o manual de diagnósticos da psiquiatria (DSM-4), se cinco sintomas de uma lista de nove durarem mais de duas semanas, os médicos dizem que há depressão. São eles: perda do humor; perda de interesse por atividades prazerosas; ganho de peso ou perda de apetite; insônia ou excesso de sono; agitação ou apatia; cansaço; sentimento de culpa e baixa auto-estima; dificuldade de concentração e de decisão; pensamentos recorrentes sobre morte ou tentativa de suicídio.

ÉPOCA – Então, qual é a diferença entre tristeza e depressão?

Horwitz –Ficamos naturalmente tristes pelas perdas do dia-a-dia, como de um relacionamento amoroso, de um emprego, de uma notícia de que seu estado de saúde não é bom. Ou quando há condições estressantes – como a pobreza – ou relações sociais em que se sofrem abusos, como os de poder. São situações ruins, mas sofrê-las não significa que algo esteja errado. É diferente da depressão, que surge sem razão específica. Não precisa ter acontecido algo terrível para surgir a depressão, que tem características biológicas. Ainda assim, a maior diferença não é o que acontece no cérebro. É o que ocorre dentro do contexto social. É dar à tristeza o ar de doença.

ÉPOCA – Depois de quanto tempo a tristeza passa a ser um quadro preocupante?

Horwitz – Não existe uma linha divisória definida. Podemos dizer que se uma tristeza dura mais de dois meses algo pode estar errado. Mas não significa que não tenha solução. O que importa é que estão tratando quem levou um fora do namorado e não consegue se concentrar, dormir ou comer direito da mesma maneira que a alguém com sintomas que persistem por longos períodos. Ficar na fossa quando um namoro acaba é a resposta natural a um estresse, e não um distúrbio mental.

ÉPOCA – A tristeza pode ser boa? O que podemos aprender com ela?

Horwitz – Uma situação dolorosa nunca é boa. A tristeza que envolve a perda pela morte de alguém que foi importante para nós é dura e custa a passar. Por outro lado, a perda do emprego e o fim de um relacionamento amoroso são circunstâncias que nos fazem parar para pensar. Revemos defeitos, analisamos conseqüências de nossos atos. Isso ajuda a encontrar equilíbrio na hora de começar de novo. A pessoa ganha maturidade.

ÉPOCA – O sentimento de perda provocado pela morte de alguém que amamos é depressão?

Horwitz – Não. É uma situação pesada. Mas a perda pela morte também faz parte da vida. Todos vamos perder pessoas queridas, e todos vamos morrer.

ÉPOCA – Como superar as fases mais complicadas?

Horwitz – O melhor a fazer é conversar com pessoas próximas. Falar com amigos e parentes. Procurar o apoio de quem nos conhece é o remédio ideal. A terapia também pode ajudar. Especialmente nos casos em que a tristeza se prolonga.

ÉPOCA – Desde quando a tristeza passou a ser medicada como doença?

Horwitz – Desde 1980, quando a Associação Americana de Psiquiatria lançou uma nova versão do manual de diagnósticos, que hoje está na quarta versão. O diagnóstico para distúrbios mentais se tornou generalista. Se alguém apresentar cinco sintomas daquela lista, é depressivo. Mas os médicos não se preocupam em questionar as circunstâncias.

ÉPOCA – Qual é a responsabilidade dos médicos nesse cenário?

Horwitz – Os médicos deixaram de considerar em que contexto esses sintomas surgem. Sei que no fundo é difícil para eles investigar as causas da tristeza, porque gastam no máximo 15 minutos com um paciente. É um contato muito breve – e fica mais fácil receitar uma pílula. Nem sempre é o que acreditam ser o melhor. Mas eles são pressionados pelo sistema de saúde – especialmente nos Estados Unidos – a não se prolongar em consultas. Os médicos estão falhando. Mas existem razões para essa falha.

ÉPOCA – E o paciente? Tem culpa?

Horwitz – Sim. Os médicos também cedem àquilo que o paciente deseja. Eles receitam o que o paciente pede quando chega ao consultório. Se não há evidências de que o paciente realmente sofre de algum transtorno, é uma atitude irresponsável.

ÉPOCA – O que é mais grave: tomar antidepressivos sem precisar ou ter uma depressão não tratada?

Horwitz – Alguém com depressão realmente precisa de tratamento. A intenção de nosso livro não é dizer que pessoas com problemas reais não devam ser tratadas da forma adequada, com remédios. Mas nos últimos anos ficou claro que consumir antidepressivos sem necessidade é um perigo. As duas situações são alarmantes.

ÉPOCA – A indústria farmacêutica colaborou para essa cultura de tratar a tristeza com medicamentos?

Horwitz – A indústria farmacêutica ganha muito dinheiro com antidepressivos. Promove esses produtos com anúncios mostrando pessoas felizes, que superaram seus problemas ao engolir uma pílula. É uma cena comum apresentada na publicidade. São casais, pais e filhos em situações do cotidiano, da família, do trabalho, que estão bem graças a um remédio. É um marketing poderoso e perigoso.

>> A Revista, na sua versão online, discute este tema em seu blog:

http://adm.globolog.globo.com/globolog/publicacao/permalink.do?postId=388005

http://adm.globolog.globo.com/globolog/publicacao/permalink.do?postId=388006

http://adm.globolog.globo.com/globolog/publicacao/permalink.do?postId=391483

http://adm.globolog.globo.com/globolog/publicacao/permalink.do?postId=391815

http://adm.globolog.globo.com/globolog/publicacao/permalink.do?postId=391994

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Aug 23

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Além de diminuir o prazer sexual, o álcool faz garotos adolescentes terem menos cuidados nas relações sexuais. Essa é uma das principais conclusões do trabalho produzido pelo aluno do sexto ano de medicina da Unifesp Danilo Torcato Ivankovich, que teve a orientação do professor Mauro Fisberg e da professora Élide Helena Medeiros.

O pesquisador constatou que dos 42% de jovens que mantêm relação sexual depois de beber, 13% usam com menos freqüência a camisinha. “Muitas vezes, o jovem deixa de usar o preservativo porque não dispõe no momento e não quer adiar a oportunidade”, explica Danilo. Embora esse número possa parecer pequeno, é uma parcela significativa em termos de saúde publica. “São jovens sujeitos a uma gravidez indesejada, Aids e doenças sexualmente transmissíveis (DST)”, diz Danilo.

Um bom exemplo dessa realidade é a experiência do estudante A.A., de 17 anos. Segundo ele, nas vezes em que manteve relações sexuais alcoolizado nem sempre se preveniu como deveria.

“Na hora até passa pela cabeça usar a camisinha. Mas você acaba deixando para lá e não pensa nos perigos que está correndo”, afirma o estudante.

Quando os jovens não estão sob o efeito do álcool, grande parte mostra estar consciente da necessidade de usar preservativo. Entre os entrevistados sexualmente ativos, 74% dos garotos sempre fazem uso do preservativo, enquanto entre as meninas, 57% afirmam o mesmo.

Realizado com duas escolas sorteadas da cidade de São Paulo, uma pública e outra particular, o estudo envolveu 1.175 adolescentes com idade entre 14 e 19 anos, todos estudantes do ensino médio.

Os resultados desse trabalho foram apresentados durante o 8º Congresso de Iniciação Científica, realizado nos dias 4 e 5 de outubro, na Unifesp.

O trabalho, que faz parte das atividades desenvolvidas pela monitoria no setor de Pediatria, traça o perfil dos adolescentes que fazem uso do álcool e sugere os fatores relacionados ao risco do consumo, tanto na vida social quanto sexual.

Entre o grupo de adolescentes que mantêm relações sexuais após beber, apenas 38% disseram sentir alteração no prazer durante a relação. Para a maioria das meninas (68%) o prazer aumenta, enquanto com os garotos isso não acontece: 65% disseram que o prazer diminui. É o caso do auxiliar de serviços gerais Paulo Augusto Toledo dos Santos, de 19 anos. “Para mim, a bebida diminui muito o meu prazer sexual. Sinto uma grande diferença em relação a quando estou sóbrio”, relata.

A explicação para os diferentes resultados da sensação de prazer entre os sexos pode estar ligada ao estado emocional que a mulher apresenta. “A mulher alcoolizada se sente mais solta e relaxada, com isso diminui a ansiedade”, avalia Ronaldo Laranjeira, chefe da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas (Uniad). Da mesma opinião compartilha o chefe do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes (Proad), Dartiu Xavier da Silveira. “Com a mulher, o álcool proporciona a desinibição para o sexo, enquanto para o homem isso não acontece”, diz Dartiu.

Os alunos entrevistados foram divididos entre aqueles que nunca consumiram bebida alcoólica (17,5%), os que bebem pelo menos uma vez por semana (29,1%) e aqueles que consomem menos de uma vez por semana (53,4%). Em 83% dos casos, os jovens assumiram já ter consumido álcool ao menos uma vez.

De um modo geral, os jovens começaram a beber aos 12 anos de idade. “Isso comprova o aumento da incidência e a precocidade do consumo”, analisa Danilo. “As campanhas promovidas pelo governo têm de lembrar que o consumo do álcool começa em uma festa, numa descontração”, conclui o aluno.

Fonte: Unifesp

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Aug 23

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Publicada em 23/08/2007 às 06h42m
Roberta Jansen - O Globo
RIO - As mesmas substâncias presentes no cérebro dos adolescentes que os tornam mais ousados e destemidos nessa fase da vida são responsáveis também por deixá-los mais vulneráveis a drogas como a cocaína e o álcool. Novas pesquisas realizadas por grupos da USP revelam os mecanismos que fazem com que a dependência seja mais grave em jovens do que em adultos.
Trabalho desenvolvido no Laboratório de Farmacologia Comportamental e Neuroquímica da USP, pelo grupo da pesquisadora Rosana Camarini, mostra que camundongos adolescentes submetidos a cocaína ou álcool apresentam respostas comportamentais e neuroquímicas diferentes daquelas de animais adultos. Os resultados sugerem que o mesmo aconteceria em seres humanos.
- Nosso objetivo é estudar as diferenças entre adolescentes e adultos nas respostas a algumas drogas de abuso - explicou Rosana, que apresentará o estudo hoje na XXII Reunião Anual da Federação de Sociedades de Biologia Experimental, em São Paulo. - Começamos a estudar isso porque existem diferenças de desenvolvimento. Algumas estruturas do cérebro ainda não estão totalmente desenvolvidas nos mais jovens, como o córtex pré-frontal, responsável, entre outras coisas, pela tomada de decisões e a agressividade.
Além disso, existe uma diferença neuroquímica importante entre o cérebro do adolescente e o do adulto, relacionada à concentração de dopamina, um neurotransmissor relacionado à motivação e à impulsividade. A presença da substância é reduzida à medida que a pessoa envelhece.
- A maior concentração da dopamina e o córtex pré-frontal ainda não totalmente desenvolvido são, em parte, responsáveis pelo comportamento mais impulsivo dos adolescentes.
Ocorre que, embora por mecanismos diferentes, tanto o álcool quanto a cocaína induzem um aumento da concentração de dopamina no cérebro. A pesquisa mostrou que os animais jovens tratados com cocaína apresentam maior excitabilidade locomotora do que os adultos. Eles também liberam mais dopamina (neurotransmissor estimulante) na parte do cérebro que controla as sensações de dependência, recompensa, prazer e motivação - o que sugere uma expectativa maior pela droga.
- Observamos que quanto mais cedo o jovem entra em contato com a droga, maior a possibilidade de se tornar dependente - disse a pesquisadora. - E uma das hipóteses para que isso ocorra é o fato de já ter naturalmente uma maior concentração de dopamina.

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Jul 31

>> Esta semana, a revista Época publica uma brilhante e elucidativa entrevista sobre como agem e o que buscam as indústrias farmacêuticas. Isto é o que está por trás de muitos ataques que a Homeopatia e as farmácias de manipulação recebem através da grande imprensa e do órgão governamental (ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária) que deveria zelar pela sua saúde antes de zelar pelos interesses financeiros dos gigantes da indústria farmacêutica. Leia com muita atenção esta entrevista, pois cada parágrafo mostra detalhes que o público em geral deveria desconhecer.

A entrevista foi concedida a Suzane Frutuoso:

Escritor sueco Peter Rost tornou-se o pesadelo da indústria farmacêutica. Ele foi demitido do cargo de vice-presidente de Marketing da Pfizer em dezembro de 2005, depois de acusar a companhia de promover de forma ilegal o uso de genotropin, um hormônio do crescimento. A substância era vendida como um potente remédio contra rugas. A empresa teria faturado US$ 50 milhões com o produto em 2002. No fim da década de 90, quando era diretor da Wyeth na Suécia, Rost denunciou também uma fraude na companhia: sonegação de impostos. Ele diz que agora se dedica a escrever o que sabe contra a indústria em seu blog e em livros. No começo do ano que vem, ele lançará Killer Drug (Remédio Assassino), história de ficção em que um laboratório desenvolve armas biológicas e contrata assassinos para atingir seus objetivos. “Mas eu diria que boa parte é baseada em fatos reais”, afirma.

ÉPOCA – O senhor comprou uma briga grande…
Peter Rost – Eu não. A diretoria da Pfizer é que começou a briga. Eu fazia meu trabalho. Certa vez, presenciei uma ação ilegal e cheguei a questioná-la. Fui ignorado. Quando falei o que sabia, eles me demitiram.

ÉPOCA – Depois das denúncias, houve algum tipo de ameaça?
Rost – Há cerca de um mês recebi uma, de um empresário indiano ligado ao setor. Ele disse que daria um jeito de acabar comigo. Nunca recebi ameaças das companhias. Elas são espertas demais para se expor desse jeito.

ÉPOCA – Como a indústria farmacêutica se tornou tão poderosa?
Rost – Eles ganham muito dinheiro, cerca de US$ 500 bilhões ao ano. E podem comprar a todos. Os laboratórios se tornaram donos da Casa Branca. O governo americano chega a negociar com os países pobres em nome deles. Como isso é feito? Os Estados Unidos pressionam esses países para que aceitem patentes além do prazo permitido (15 anos em média). Quando a patente se estende, os países demoram mais para ter acesso ao medicamento mais barato. E, se as nações pobres não aceitam a medida dos americanos, correm o risco de sofrer retaliação e de nem receber os medicamentos. Essa atitude é o equivalente a um assassinato em massa. Pessoas que dependem dos remédios para sobreviver, como os soropositivos, poderão morrer se o país não se sujeitar a esse esquema.

ÉPOCA – O Brasil quebrou a patente do medicamento Efavirenz, da Merck Sharp & Dohme, usado no tratamento contra a aids. O governo brasileiro acertou?
Rost – Sim. O governo brasileiro não tinha escolha. Ele tem obrigação com os cidadãos do país, não com as corporações internacionais preocupadas com lucro. O que é menos letal? Permitir que a população morra porque não tem acesso a um remédio ou quebrar uma patente? Para mim, é quebrar a patente. A lei de patente foi justamente estabelecida para incentivar a criação de medicamentos. Seria uma garantia para que os laboratórios tivessem lucro por um bom tempo e uma vantagem em troca de todo o dinheiro empregado durante anos no desenvolvimento de uma droga. Mas, se bilhões de pessoas estão sem tratamento, porque as patentes estão sendo prolongadas e os medicamentos continuam caros, há sinais de que a lei não funciona. Ela foi feita para ajudar, não para matar.

ÉPOCA – As práticas de venda da indústria farmacêutica colocam em risco a saúde da população mundial?
Rost – Não tenha dúvida. Basta lembrar o caso do Vioxx, antiinflamatório da Merck Sharp & Dohme retirado do mercado em 2004 por causar ataque cardíaco em milhares de pessoas pelo mundo.

ÉPOCA – Então, não podemos mais confiar nos laboratórios?
Rost– Não, não podemos confiar. A preocupação principal deles é ganhar dinheiro. As pessoas têm de se conscientizar disso. Cobrar posições claras de seus médicos, que também não são confiáveis, pois seguem as regras da indústria. Eles receitam o remédio do laboratório que lhes dá mais vantagens, como presentes ou viagens. É uma situação difícil para o paciente. Por isso, é importante ter a opinião de mais de um médico sobre uma doença. E checar se ele é ligado à indústria. Como saber? Verifique quantos brindes de laboratório ele tem no consultório. Se houver mais de cinco, é mau sinal.

ÉPOCA – Os laboratórios são acusados de ganhar dinheiro ao lançar remédios com os mesmos efeitos de outros já no mercado. O senhor concorda com essas acusações?
Rost – Sim. Eles desenvolvem drogas parecidas com as que já estão à venda. Não necessariamente são as mesmas substâncias químicas. No geral, são as que apresentam os mesmos efeitos colaterais. É por isso que existem dezenas de antiinflamatórios e de antidepressivos. É muito fácil criar um remédio quando já se conhecem os resultados e as desvantagens para o paciente. O risco de falha e de perder dinheiro é muito baixo. Os laboratórios não estão pensando no benefício do paciente. É pura concorrência.

ÉPOCA – É por isso que não se investe em tratamentos para doenças como a malária, mais comuns em países pobres?
Rost – Não há interesse em desenvolver medicamentos que possam acabar com doenças conhecidas há décadas. Os países pobres não podem pagar essa conta. O Brasil é visto pela indústria farmacêutica internacional como um mercado pequeno. Ela se baseia em dados de que apenas 10% dos brasileiros têm condições de pagar por medicamentos. Para eles, esse número não significa nada.

ÉPOCA – Segundo uma teoria, os laboratórios “criam” doenças para vender medicamentos. Isso é real?
Rost – É o caso da menopausa. Sei que as mulheres passam por problemas nesse período da vida. Mas não classifico a menopausa como doença. As mulheres usam medicamentos com estrógeno para amenizar calores e melhorar a elasticidade da pele. Os laboratórios se aproveitaram dessas reações naturais da menopausa e as classificaram como graves. Quando as mulheres tomam os remédios, sofrem infarto como efeito colateral.

ÉPOCA – As práticas ilegais da indústria farmacêutica são piores que as de outros setores, como o de tecnologia?
Rost – Sim, porque os laboratórios lidam com vida e morte. Você não vai morrer se a televisão ou o DVD não funcionarem direito.

ÉPOCA – Não devemos levar em consideração que, hoje, graças à pesquisa dos laboratórios, foi descoberta a cura para várias doenças e há maior qualidade de vida?
Rost – Claro que sim. Os laboratórios fizeram muita coisa boa. Em troca de muito dinheiro.

QUEM É PETER ROST
Médico, ex-vice-presidente de Marketing da Pfizer. Demitido por denunciar práticas ilegais do laboratório. Ganhou US$ 35 milhões no processo contra a empresa
VIDA PESSOAL
Casado e pai de dois filhos, nasceu na Suécia e mora nos Estados Unidos
O QUE PUBLICOU
The Whistleblower: Confessions of a Healthcare Hitman (O Denunciante: Confissões de um Combatente do Sistema de Saúde), lançado em 2006 nos EUA e inédito no Brasil

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Jul 17

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Por Amanda Mont’Alvão

Içami Tiba é o autor brasileiro mais referendado e admirado pelo Conselho Federal de Psicologia, segundo pesquisa realizada em março de 2004 pelo Ibope. Apenas dois nomes o superam: Sigmund Freud e Gustav Jung. Içami foi além de seu diploma de médico, conquistado na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), e se tornou autor de respeitados 21 livros, todos baseados na experiência trazida por mais de 76 mil atendimentos psicoterápicos a adolescentes e suas famílias em clínica particular. Ele tem no currículo mais de 3.200 palestras proferidas para empresas nacionais e multinacionais, escolas, associações e instituições no Brasil e no exterior. O psiquiatra já figurou na lista da revista Veja dos autores brasileiros que mais livros venderam.

Içami tem a voz calma, porém firme. O tempo gasto entre o fim da pergunta e o início da resposta é inferior a um segundo. Rapidez de quem está acostumado a responder às dúvidas de milhares de pais e educadores. O sorriso não esconde o orgulho dos mais de 1,5 milhão de livros vendidos, entre eles o best-seller “Quem ama, educa”.

Içami esteve em Uberaba para o 8º Congresso Nacional Amor-Exigente e aproveitou para lançar aqui sua última publicação editorial, “Juventude & Drogas: Anjos Caídos”. Sua palestra foi intercalada com aplausos constantes da platéia. Em entrevista ao JM, Içami foi enfático: os jovens não estão carentes. A droga os atrai por prazer, e passar a mão na cabeça não resolve absolutamente nada.

 

Jornal da Manhã – Qual a idade em que o jovem começa a utilizar drogas e de que maneira os pais podem perceber isso?

Içami Tiba - Basta observar. Hoje, os pais estão muito ausentes na vida dos filhos. Alguns beiram a negligência, pois querem delegar para as escolas a educação. Dos dois anos de idade em diante, quando a criança já vai para a escola, o comportamento dela deve ser observado todos os dias. Existe uma tal de educação aos pares, em que ele aprende coisas com seus coleguinhas de escola, que nem sempre é o mais educado; num instante, ele quer fazer em casa. As crianças querem fazer o que aprenderam. Então, se nessa hora já for quebrada a distância entre o mundo da criança e os pais, fica mais fácil manter o contato. Filhos na adolescência acompanhados pelos pais estão muito mais protegidos do que os filhos totalmente soltos.

 

JM - Hoje em dia, o senhor acha que o jovem está mais descompromissado do que o jovem de anos atrás?

Içami - Muito mais descompromissado. O único compromisso dele hoje é o prazer. A alegria dos jovens é judiar dos outros. É um prazer sádico de pegar as diferenças que existem e judiar de quem está embaixo.

 

JM - É um comportamento geral ou isso é mais comum no Brasil?

Içami - No mundo todo, não é só no Brasil. Ocorre também na França, país com um movimento de jovens muito forte. Isso está vindo na esteira do “eu faço o mal, vou embora e para mim não acontece nada”. Essa é justamente a essência dos jogos interativos, dos jogos de computador. É um “matar” o outro, aquele que está distraído, aquele que está menos armado, o menos potente. Aí ele acaba o jogo e já está pronto de novo para “matar” outra vez.

 

JM - E o que os pais podem fazer com essa “geração internet”, conectada durante a maior parte do tempo?

Içami - Eu chamo de “Geração Digital”, porque a internet é só uma parte. A digital é desde a televisão. Tem essa globalização individual. A educação hoje é muito mais influenciada pelo mundo digital do que propriamente só pela internet. Internet é um ramo da digital. Com essa geração de hoje, os pais precisam se atualizar, saber o que se passa com os filhos para não ficarem utilizando martelo para corrigir programa de computador. Corrigir digital com martelo é uma atitude desatualizada. Isso quebra o computador, mas não corrige a pessoa.

JM - Qual o poder de atração que a droga exerce sobre os jovens?

Içami - Eles estão acostumados em casa a ter o prazer. “Matar” por prazer. Eles não têm compromisso.

 

JM - Essa geração não seria mais carente pelo fato de crescer em um novo modelo de família, em que os pais passam a maior parte do tempo trabalhando?

Içami - Não é questão de carência, é uma organização errada, porque os pais não estão tão longe dos filhos o suficiente para provocar isso. Acontece que os pais não estão trabalhando a distância que existe entre eles. Então, eles se sentem culpados, em vez de falarem: “Escuta, eu estou trabalhando é por nós, vocês têm que fazer a parte de vocês em casa”. Mas aí os filhos não fazem, e os pais não cobram. Fica como se os pais tivessem mais é que trabalhar mesmo.

 

JM - Como os pais podem se aproximar do filho?

Içami - Se eles trazem o trabalho para casa, por que não levar o filho para o trabalho? São duas vias, não tem essa de ficar se sacrificando, dando o melhor e o filho só respondendo pela metade. Ou se contentar que o filho está vivo, pelo menos. Eu já vi pais cujos filhos detonaram o carro deles ou de alguém, até mesmo com vítimas no outro veículo, e eles dizerem: “Filho, ainda bem que você está vivo”. Devia é dar umas pancadas no filho naquela hora. Onde já se viu, matou outras pessoas, vou ficar contente que meu filho está vivo? Lógico que eu estou contente que ele está vivo. Mas e o mal que ele causou? E os outros envolvidos que estão chorando? Vou sair feliz, abraçado ao meu filho? Faz favor, que raio de educação é essa que ainda privilegia um filho que cometeu um crime de trânsito.

 

JM - Os relatórios apontam o crescimento do uso de drogas na classe média. Seria permissividade?

Içami - Não, não é isso. Agora isso está sendo constatado, mas sempre houve maior consumo de drogas na classe média. É que o uso entre os pobres chama mais a atenção porque aí poderão dizer que “drogas estão relacionadas à pobreza”. Mas não está. Ela está relacionada ao prazer e ao poder.

 

JM - Há alguma relação íntima entre droga e violência?

Içami - Sim, a maioria dos casos de violência tem drogas por trás.

JM - Combater o tráfico de drogas seria uma forma de diminuir os índices de violência?

Içami - Sem dúvida.

 

JM - Cada vez mais os menores praticam crimes. O senhor acredita que eles possam ser recuperados em instituições como a Febem (Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor)?

Içami - Não, Febem não. Eu acredito muito mais que as penas têm que ser proporcionais aos crimes. A Febem iguala todos os crimes. Então, fica uma medida totalitária e não particularizada. Como na cadeia grande, um crime por si só, porque a cadeia trata todos os crimes do mesmo jeito. Então, o roubo de uma galinha, um crime famélico e um crime de matar o outro é considerado igual. A fila de espera para condenar é a mesma coisa, e às vezes há quem nem foi condenado e ficou na espera. Então, eu acho que nenhuma lei que funcione desse jeito tenha resultado. Eu acho muito melhor um radicalismo mais forte, em que a pena seja proporcional ao crime que se cometeu, sem importar a idade. Se for um pequeno que matou o outro, matou. A idade que ele tem vai atenuar ou piorar.

 

JM - O senhor é a favor da descriminalização da droga?

Içami - Totalmente contra. O governo não dá conta das drogas que liberou. Não consegue tratar as pessoas, quer tornar a campanha política das drogas a “campanha do menos mal”. O que eles deveriam fazer é recuperar, não falar “se você usa crack, vá para a cocaína. Use maconha, porque cocaína é muito sério”. Não, isso é um convencimento fraco; o convencimento mais forte é que de ele não pode usar drogas e ponto final, vamos fazer de tudo para que não usem. Porque isso significa “cocaína eu tolero”.

 

JM - O que o senhor pensa da redução da maioridade penal?

Içami - Eu penso que deve ser proporcional, não importa a idade. Classificar por idade coloca o lado biológico acima do raciocínio das pessoas; não está certo. Tem adolescente que já tem uma maturidade suficiente, então vamos medir a maturidade dele: se ele já trabalhava, se já fazia negócio sozinho, se já traficava, então ele é gente grande. Então não vai ser aliviado da pena porque ele não tem 18 anos. Tem que ser condenado de acordo com o crime que cometeu.

 

JM - Os psicólogos deveriam trabalhar aliados à escola e às instituições de recuperação de menores infratores?

Içami - Os psicólogos deveriam fazer mais trabalho social, ir a esses lugares onde se reúnem os grupos de auto-ajuda e dar a cooperação que eles sabem dar. Mas eles não vão, querem receber só no consultório, querem tirar proveito da profissão e ainda bem que existem drogados para eles.

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