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Mar 14

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A violência marcou, nesta sexta-feira, o quinto dia de manifestações contra a China em Lhasa, capital do Tibete ocupada pelos chineses desde 1951. Os soldados do Exército de Libertação Popular enviados à região pelo governo chinês tentaram conter os manifestantes liderados por cerca de 500 monges budistas. Segundo testemunhas, lojas e carros foram incendiados. As forças de segurança usaram bombas de gás e tiros foram ouvidos. A nova onda de protestos já é considerada a maior desde 1989 - quando o governo de Pequim decretou lei marcial no Tibete após protestos contra a repressão chinesa - e preocupa a China a menos de cinco meses das Olimpíadas de Pequim.

As manifestações, que já se espalharam para outras regiões da China onde vivem muitos tibetanos, começaram na segunda-feira para lembrar o 49º aniversário da frustrada revolta contra o governo comunista chinês, pela independência do Tibete. Nos últimos dias, diversos mosteiros foram cercados por soldados.

- A polícia está em todos lugares - disse o dono de um café de Lhasa por telefone. - Há grandes problemas.

Segundo a rede “CNN”, a violência foi detonada, nesta sexta-feira, quando o Exército tentou conter uma manifestação pacífica de monges no templo de Ramoche. Os carros e lojas incendiados seriam de chineses do grupo étnico Han, predominante na China.

- Alguns estão bravos e outros assustados. As forças de segurança estão vasculhando as casas para ver se há monges escondidos - disse uma fonte que mantém contato com moradores do Tibete.

Os novos protestos começaram na segunda-feira. Uma segunda grande marcha aconteceu na terça-feira, mas foi sufocada pelo Exército chinês que, de acordo com uma rádio, chegou a prender um grupo de monges.

Centenas de monges do mosteiro de Labrang na província de Gansu, sudoeste do país, promoveram uma marcha até a cidade de Xiahe, segundo a Free Tibet Campaign, citando fontes de Dharamsala, sede do governo tibetano no exílio. Mais de 10 monges foram presos e tanques patrulham a praça próxima ao palácio Potala, uma das maravilhas arquitetônicas do mundo que já foi a residência de inverno do líder espiritual tibetano Dalai Lama.

O Tibete, localizado no sudoeste da China, próximo à fronteira com Nepal, Butão e Índia, era um Estado religioso independente até o final da década de 50, quando as forças de Mao Tsé-Tung invadiram e anexaram a região à China. O então Dalai Lama teve de fugir para a Índia e até hoje vive no exílio, de onde luta pelo reconhecimento da independência do território.

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