Hiperatividade ou falta de limites?

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Eu fui convidado para fazer uma palestra na escola em que minha filha mais nova estuda sobre Hiperatividade, na reunião de pais bimestral. Ontem estava organizando as idéias e achei interessante postar aqui.

Em primeiro lugar, uma classificação: existem crianças levadas, crianças hiperativas e crianças sem limites. As levadas dão a impressão de não estarem se concentrando em nada mas, quando colocadas diante de alguma atividade que lhes interesse, dedicam-se inteiramente a ela. As crianças hiperativas realmente não se concentram, mesmo quando é algo que lhes interesse muito. Elas simplesmente não conseguem se concentrar! As crianças sem limites concentram-se, mas dificilmente elas têm interesse que não seja superficial, porque geralmente elas ganham tudo que querem, mesmo que remotamente. Então o interesse salta de uma coisa para outra o tempo todo. Um exemplo é uma criança que queria e ganhava tudo relativo ao RBD (Rebelde, para quem não conhece) e agora já deixa tudo que ganhou para trás (CD, DVD, roupas, álbuns de figurinhas, revistas, álbuns de fotos, etc) porque “precisa” ter tudo do High School Musical.

Classificadas assim, vamos falar sobre a Hiperatividade. Na década de 1970 era chamada Disfunção Cerebral Mínima, porque acreditava-se que algum problema, provavelmente no parto, causava uma baixa oxigenação do cérebro, provocando a hiperatividade. Hoje o nome oficial é DDAH, Distúrbio do Déficit de Atenção com Hiperatividade. Em seu aspecto biológico, está ligada ao metabolismo da dopamina, um neurotransmissor. Os neurônios onde a dopamina atua estão ligados à sensação de prazer, de saciedade, e quando desregulados nada sacia a pessoa, nada causa um prazer profundo. Isto gera uma inquietação constante, pode levar a compulsões na criança e no adulto. Estudos sugerem que este é o fator biológico envolvido nas dependências, como o alcoolismo, dependência de drogas, compulsões alimentares, compulsões sexuais, oneomania (tem um outro artigo neste blog sobre isto), etc. A deficiência de dopamina gera uma baixa capacidade de atenção e concentração. A criança não consegue fixar sua atenção por muito tempo. Isto explica o baixo desempenho escolar, principalmente em matérias em que é preciso ler muito, como história, geografia. Muitas vezes elas são ótimas em matemática, porque o raciocínio é muito rápido, mas se os problemas apresentados tiverem um enunciado a ser interpretado já dificulta. Bem, sem capacidade de fixar a atenção, tudo pode dispersar a criança, até uma mosca que passa. Ela não tem controle sobre a esfera do pensamento, que flutua muito mais rápido do que normalmente ele já o faz. Ela também não tem controle sobre os sentimentos, não conseguindo conter reações emocionais, alternando rapidamente momentos de extremo carinho, simpatia, amorosidade, com momentos de agressividade verbal e física. E também não têm controle sobre a esfera do agir, apresentando uma impulsividade e uma compulsão muito grande ao movimento, elas não conseguem ficar paradas, não conseguem fazer nada até o fim, brincam com três ou quatro brinquedos ao mesmo tempo.

Na Antroposofia falamos que o Eu (Interior) organiza e controla o Pensar, o Sentir e o Agir. Ora, a criança hiperativa não tem nenhum controel sobre estas três esferas, demonstrando que seu Eu não tem esta capacidade de integração. Ela precisa aprender a controlar estes três. E o principal meio para isto é educacional. Até a adolescência, a principal influência sobre a criança são seus pais, o modelo que eles oferecem, e é este modelo que vai influenciar sua vida adulta. Logo em seguida, vem a influência dos professores. Tanto os pais quanto os professores devem saber controlar seu pensar, seu sentir e seu agir, para servirem de modelo para as crianças. Um outro fator importante para que o Eu conquiste o comportamento é o ritmo, a criança precisa de ritmo, de uma rotina. Ter hora para comer, para dormir, para tomar banho, para ir à escola, para assistir TV, para jogar videogame, para entrar na internet. Eu vejo pais de crianças de 10 anos reclamando que o filho passa a noite inteira no computador, e fico me perguntando: onde estão os pais numa hora dessas?

Aí eu acho que entra um fator que agrava a criança hiperativa e cria a criança sem limites. Hoje em dia, ambos os pais trabalham fora geralmente, e muitas horas. Muitos pais, principalmente as mães, sentem-se muito culpadas por estarem longe do filho a maior parte do tempo e, por outro lado, chegam em casa super cansados, querendo um tempo para si, oq ue aumenta ainda mais a culpa. Assim, certas “babás eletrônicas” como o computador, a televisão e o videogame caem como uma luva. A criança se diverte sozinha e os pais podem descansar. Infelizmente estas “babás” amplificam o problema, causando uma excitação ainda maior, embora sejam as poucas coisas que conseguem atrair a atenção de uma criança hiperativa, porque as circunstâncias de um videogame, por exemplo, mudam constantemente, seguindo o ritmo de uma criança hiperativa. A culpa faz com que os pais presenteiem demais os filhos, e o excesso de brinquedos dispersa ainda mais a criança hiperativa, e cria dispersão na criança sem limites, porque ela não se envolve profundamente com nada, porque tudo é passageiro e amanhã ela já ganhará outro “melhor brinquedo do mundo”. A criança consegue perceber a culpa dos pais e pode manipulá-los até deste sentimento. Muito melhor seria brincar junto com a criança, contar histórias para ela, ouvir as histórias dela, participar da vida dela.

Aqui chegamos a um outro ponto: a imagem da criança. Até o início do século 20 não existia a palavra criança como um ser que tem suas especificidades, mas a criança era vista como uma miniatura do adulto. A sociedade ainda resiste a esta mudança de paradigma, haja visto tantos pais tentarem transformar seus filhos em miniadultos, através de roupas, certos brinquedos, hábitos. Uma outra direção é achar que a criança é um ser angelical, sem qualquer maldade. Parece que esquecemos de nossa infância e da crueldade de que as crianças são capazes. As crianças são diferentes dos adultos, mas ainda são humanas, noq ue isso tem de bom ou de ruim. E as crianças têm uma capacidade muito grande de perceber o que seus pais estão sentindo, e a culpa dos pais fica muito evidente nestas situações de não colocar limites ou de presentear excessivamente. E a criança vai usar isto a seu “favor”. Um desfavor a isto é a “psicologização” exagerada que se vê por aí. Crianças que falam de si usando termos médicos e psicológicos mostra que alguma coisa está errada no relacionamento entre ela e seus pais, que não têm mais acesso direto um ao outro, mas mediado por médicos e psicólogos. Eu conheço uma criança que, muito nova, usava sempre a expressão “Eu me sinto insegura” para justificar tudo que ela não queria participar, tudo que ela não queria fazer. As crianças sem limite só precisam de limites claros e objetivos, afinal elas também fazem parte da sociedade e precisam integrar-se a ela.

Além do modelo dos pais, a Pedagogia Curativa ajuda muito as crianças hiperativas. O tratamento medicamentoso alopático é feito principalmente com anfetaminas, como a famosa Ritalina (Metilfenidato), que atua sobre as vias de neurônios que usam dopamina. A atenção é aumentada, e a inquietação conseqüentemente diminui. Tem vários efeitos colaterais a curto e médio prazo. A Homeopatia oferece resultados muito bons nestes casos, e os remédios são muito bem tolerados pelo organismo da criança. Por basear-se na semelhança entre o que um remédio provoca numa pessoa saudável e os sintomas que uma pessoa doente apresenta, a escolha do remédio homeopático é feita através de consulta médica em que os sintomas são detalhados, formando uma imagem bem ampla e precisa do problema do paciente. Com a homeopatia, muitas crianças conseguem melhorar a integração das esferas do Pensamento, Sentimento e Ação, controlando seu comportamento e conseguindo melhora tanto no aprendizado, quanto no relacionamento com os colegas, professores, e familiares e, principalmente, reduzindo a frustração que é um sentimento muito presente nas crianças hiperativas, juntamente com a baixa auto-estima. Assim nossas crianças podem ser mais integradas e felizes!

Marcelo Guerra

5 comments on “Hiperatividade ou falta de limites?

  1. Diana on said:

    Parabens e muito obrigada pela sua contribuição e por compartilhar tantas informações valiosas!

  2. Emilia Espinola on said:

    Parabens! pelo artigo, muito bom e esclarecedor. Excelente mesmo.

  3. Paula Fernandes on said:

    Que maravilha de artigo. Td muito bem colocado. Gostaria apenas de frisar a contribuição que os florais podem dar as crianças hiperativas. Existem florais que diminuem tanto essa inquieação e ansiedade dos hieprativos, deveríamos todos conhecer. Obrigada pelo artigo!

  4. tiago andré on said:

    Você vai me desculpar senhor, mas você se enganou em uma coisinha que citou, você disse que crianças com hiperatividade não conseguem se concentrar nem que algo lhes interesse muito, mas eu tenho hiperatividade atestada e quando criança eu conseguia me concentrar no que eu me interessava, alias, nas coisas que me interessam eu me concentro muito mais do que qualquer pessoa que não tenha hiperatividade, o problema de certas pessoas é que elas não entendem que a gente não tem realmente um déficit(deficiêcia) e sim uma instabilidade, os pensamentos são inquietos e nossa atenção é sempre desviada para um assunto que nos interesse mais, de uma forma quase incontrolavel. Obrigado, tchau.

  5. christini i.lopes on said:

    pronto sou brasileira e moro na Holanda,com problemas com os remédios tradicionais daqui e dificil comunicação com médicos e também devido a diferença da forma de prescrição de medicamentos, diagnósticos,terapias e exames.Venho aqui com diferentes problemas de saúde aos meus 39 anos de idade,hiperativa,sem oxigenação boa no cérebro,falta de concentração,ansiedade,compulsões,inquietação,depressão,falta de interesse,prazer e falta de memória,uso alternativo já há longo tempo cannabis sativa para diminuir minha ansia,nervosismo e dar-me prazer voar mais alto,ter idéias fantásticas e fazer planos como que em transe,porém sinto diminuição da minha dopamina em meu cérebro,formigamento no corpo,perda de movimentos e percepções físicas,diminuição da visão e pressão ocular,problemas no pulmão,sensação de sufocamento ou não poder engulir ,falta de oxigenio no cérebro e pulmão,muito catarro,sinusite,dor forte nos pulmões irradiando reflexos para o tórax ou peito,sensação de que minha pele principalmente nos pulmões estar queimando a toda hora,temperatura toda noite varia de 36 a 39.Todos estes problemas relatados aqui e sintomas de possível múltipla asclerose,já que foi comprovado pelo médico daqui eu tam’bem sofrer de fibromialgia.Pronto fibromialgia em conjunto com hiperatividade,stress,depressão,compulsões,ansias,disrretimia cardíaca,diminuição da dopamina,falta de oxigenio no cérebro,má circulação,sinto enorme pressão arterial,sinto meu sangue estar grosso e com dificuldade de mover-se,surgimento de varizes,dor nas pernas,duas hérnias de disco entre coluna vertebral e bacia,sequela de fratura na L4 e L5,lígeiros sinais de espondilose e descartrose na L5 e S1,dísmetria dos membros inferiores no lado direito em 1,50cm,prescirção de palmilha e diagnóstico de fibriomialgia,encaminhamento ao reumatologista.Mas tudo muito lento,complicado para mim entender sem muita chance de sucesso e sofrendo de todas as dores,por causa da dismetria estar evoluindo muito e causando sérias deformações em meu esqueleto,também sinto minha vagina estar torta por dentro como dismetricamente causando-me desconforto e prazer sexual,agindo sob minha psicologia de forma desastrosa,depressão…vi o site e interessei-me poderia passar algo para pessoas como mim com fibromialgia e tudo mais relacionado?Obrigada,se puder compro medicamento online ou plantas medicinais,compostos,o que tiver…

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