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Apr 15

Grávidas que vão parar no hospital após usar remédio dizem sempre que caíram da escada

Pâmela Oliveira

Rio - Com medo de procurar hospitais após um aborto provocado, muitas mulheres aumentam o risco a que já estão expostas quando fazem o procedimento em condições inseguras. Algumas preferem passar dias com fortes dores e sangramentos prolongados a ter que ir aos hospitais onde o “tombotec” — referência à explicação dada pela maioria que chega em busca de socorro, o tombo da escada — pode ser descoberto por médicos.

“Eles sabem quando o aborto é provocado. Uma amiga chegou com o feto morto preso e ficou esperando com dor até ser atendida. Quando acabou, o médico falou para ela tomar cuidado com o ‘tombotec’”, diz Vera, auxiliar de enfermagem que nunca fez aborto.

A vendedora ambulante N., que indicou o vendedor do Cytotec à equipe de reportagem no camelódromo da Uruguaiana, recomendou que um tombo da escada fosse dado como justificativa para fazer o aborto provocado parecer espontâneo.

“Eles sabem quando é aborto e quando não é. Mas fala ‘Ah! Caí da escada’”, aconselhou N. “Foi isso que eu inventei quando eu fiz. Depois de uma semana com o bicho morto dentro de mim, a cólica foi aumentando. Cheguei no médico e disse: ‘Aí, moço. Eu estou grávida. Caí da escada na semana passada’”.

Mãe de duas crianças, a manicure Teresa fez um aborto com uma ‘curiosa’, como são popularmente chamadas as aborteiras, e passou três dias com febre e hemorragia até buscar socorro. Mas seu medo era outro: ela tinha medo de que o médico conseguisse evitar a consumação do aborto.

“Nunca tinha feito um aborto, mas fiquei desesperada. Tudo o que me importava era que eu não podia ter mais um filho. Eu sabia que eu podia morrer, mas na hora não me preocupei com isso porque estava decidida. Ficava imaginando que o médico poderia dar uma injeção e anular o aborto”, conta Teresa, que teve sangramento por três dias seguidos devido a uma infecção causada por material que não foi eliminado após o aborto.

O risco de vida não é o único a que são expostas aquelas que buscam o aborto inseguro. “Dependendo da forma como é feito, a mulher pode perder ovários, útero, ter perfuração da bexiga e intestino e sofrer infecções muito graves”, afirma Maria José de Oliveira Araújo, coordenadora da área técnica da saúde da mulher do Ministério da Saúde, acrescentando que sondas, produtos químicos, talo de mamona, agulha de tricô e até arame são usados na tentativa de interromper a gravidez indesejada.

No Brasil, o aborto só é permitido quando a mulher é vítima de estupro ou está exposta a risco de vida. Mas todos os anos ocorrem cerca de 1 milhão de abortos espontâneos e inseguros no País, segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS). Os inseguros, como são chamados os que são realizados de forma clandestina, representam 85% dos casos — em torno de 850 mil —, de acordo com o Ministério da Saúde.

O problema, apesar da subnotificação, é a quarta causa de mortalidade materna no País. Em 2005, foram registradas 149 mortes por aborto no Brasil. O Rio foi o estado com maior número de vítimas, com total de 18 óbitos, seguido por São Paulo (16), Espírito Santo (14) e Bahia (13). No ano anterior, foram 156 mortes em todo o País. O Rio foi o segundo colocado, com 16. Minas gerais teve 17 casos e a Bahia, 16.

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2 Responses to “Medicamento é chamado de ‘tombotec’”

  1. elisabetecunha Says:

    Isso é uma questão muito séria e deveria ser discutida sem dogmas…………..

    Marcelo
    Saiba que seu blog também é um dos meus favoritos, ok?
    beijos:)

  2. elisabetecunha Says:

    SAUDADE!

    Tem remédio doutor?
    :)

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