Por isso é importante a avaliação médica!!!!
Publicada em 07/11/2006 às 12h15m
Luciana Ackermann – O Globo Online
RIO – A depressão senil e a doença de Alzheimer estão entre os principais problemas de saúde que afetam os idosos. Embora sejam comuns, são doenças facilmente
confundidas e difíceis de ser corretamente diagnosticadas. Os sintomas da depressão como o desinteresse, a tristeza, a apatia, a perda do apetite, a perda de peso e a insônia também podem fazer parte do quadro das vítimas do Alzheimer. Já os sintomas do Alzheimer diferem do quadro da depressão. Nele, ocorrem esquecimentos de fatos da vida diária,
desorientação no espaço e no tempo, problemas de atenção e de aprendizado. As diferenças sutis entre as duas doenças serão debatida durante a II Jornada de Excelência
Médica, que acontece no dia 29 de novembro, no Hotel Windsor, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.
O psiquiatra Jerson Jlaks, professor adjunto da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Coordenador do Centro para
Alzheimer do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ressalta que, diante de qualquer indício de uma das duas doenças, é importante que
seja feito um diagnóstico, o mais rápido possível, para que o tratamento adequado seja aplicado. São realizados exames laboratoriais, como tomografia computadorizada, e
uma série de testes, que seguem critérios e escalas internacionais.
As primeiras manifestações da doença de Alzheimer são caracterizadas por pequenos lapsos de memória que podem passar despercebidos durante anos, até a pessoa esquecer
o endereço de casa ou estranhar a fisionomia de um filho. Pouco a pouco o doente desliga-se totalmente de sua realidade, podendo intercalar situações em que está aparente
normal, com outras em que deixa de conhecer mesmo os familiares mais íntimos.
O diagnóstico preciso é fundamental para o tratamento. Um idoso com depressão pode ser curado a partir do uso de medicamentos, em geral, antidepressivos. Já no
Alzheimer, os medicamentos são capazes de reduzirem a velocidade da evolução da doença.
- O fato de a pessoa entrar na terceira idade não é motivo para ter depressão. Isso não é natural. Assim como os esquecimentos de fatos diários, como perguntar se o almoço
será servido, sendo que ele já almoçou, que podem indicar o início do Alzheimer, também não podem ser vistos como normais – afirma Jlaks.
Ele alerta que cerca de 10% dos idosos têm depressão. Em geral, a depressão é provocada pelo desequilíbrio dos sistemas de neurotransmissão, especialmente na liberação
serotonina, noradrenalina e dopamina. Qualquer pessoa pode ser vítima dessa doença, mas é importante procurar ajuda logo que os primeiros sinais se manifestem. Assim, a
possibilidade de levar uma vida normal certamente será maior.
É o caso de Vitório, de 83 anos. Sua filha Elizete Saporito Lopes, de 61 anos, conta que após se
aposentar, Vitório passou a ter crises de soluços, forte apatia e lapsos de memória. A família chegou a pensar que seria Alzheimer. Mas a partir da avaliação médica, a
conclusão foi a de que ele estava depressivo.
Depois de tomar a medicação prescrita pelo médico, Vitório teve uma melhorar significativa, segundo a filha. O neurologista Oscar Bacelar, PhD pela Universidade de Basel,
na Suíça, em doenças neurodegenarativas, faz coro ao alerta de Jlaks, quanto mais cedo a doença for diagnosticada mais ajuda terão os médicos para retardar a evolução do
mal e combatê-lo com medicamentos específicos. Ele aponta que no Brasil 1,2 milhão de idosos tem Alzheimer. Dessa população, 20% ultrapassaram os 85 anos.
Ele ressalta que é o idoso mantenha seu contato social através de atividades interativas como bailes, cursos de artesanato, contato com outras pessoas tanto da mesma idade
quanto de faixa etária diferentes. A proporção de pessoas com a doença dobra a cada cinco anos a partir dos 65 anos de idade.
Normalmente o diagnóstico é feito pelo menos um ano depois dos primeiros sintomas que costumam ser leves e confundidos como normais no envelhecimento.
