Arquivo mensais:janeiro 2007

Automedicação traz riscos à saúde

Luciana Ackermann O Globo Online

RIO – Quem costuma ir à farmácia comprar um remédio para aliviar o mal-estar ou qualquer dor rotineira deve tomar cuidado para não ficar pior e prejudicar a saúde. Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Farmacêuticas (Abifarma), todo ano cerca de 20 mil pessoas morrem no país, vítimas da automedicação. A maior incidência de problemas relacionados à prática está ligada à intoxicação e às reações de hipersensibilidade ou alergia.

Muito comum entre os idosos, o hábito de se automedicar representa um risco iminente à saúde. Em geral, eles já apresentam doenças crônicas e fazem o uso de medicamentos recomendados pelos médicos. Ao usar outros remédios, eles podem desestabilizar os tratamentos a que vêm sendo submetidos, assim como provocar uma intoxicação.

Segundo pesquisa realizada pela Secretaria Especial da Terceira Idade do Rio de Janeiro, das 2.019 pessoas entrevistadas, acima de 60 anos, 44% delas admitiram que usam medicamentos sem prescrição médica.

Marianela Flores Hekman, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), diz que em seu dia-a-dia como geriatra são comuns os relatos de pacientes que passaram a tomar determinados medicamentos a partir das recomendações de vizinhas, amigas, parentes e farmacêuticos.

- Isso é um perigo porque os medicamentos prescritos por médicos já têm efeitos colaterais que são monitorados pelo profissional. Por isso, tem de seguir à risca os horários e a quantidade indicada. Qualquer nova substância pode desencadear novos efeitos. Então, antes de tomar qualquer remédio é preciso perguntar a opinião do médico. Até mesmo o uso de fitoterápicos e de vitaminas deve ser informado. O ideal é que o idoso faça um resumo de todos os medicamentos ou leve as caixinhas deles para que o médico saiba tudo o que está se passando com o paciente de forma global – afirma Marianela.

Ela contou que já atendeu uma paciente com hemorragia digestiva provocada pela ingestão de um xarope contendo babosa e álcool.

- Foi bem difícil diagnosticar o que poderia ter provocado a hemorragia porque essa senhora não contou que estava tomando o xarope e todos os outros medicamentos estavam controlados e administrados de forma correta -

Ela também citou uma pesquisa da Universidade Luterana do Brasil (ULBRA) onde 40,7% dos idosos entrevistados em Canoas, no Rio Grande do Sul, têm o hábito de se automedicar.

De acordo com Antonio José Carneiro, professor adjunto e doutor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ulbra), os analgésicos, os antiinflamatórios e os antigripais são os medicamentos mais usados indevidamente pelos idosos. Porém, ele ressalta que mesmo os remédios aparentemente inofensiveis podem causar complicações.

No caso dos analgésicos, cujo princípio ativo é o ácido acetilsalicílico, o uso indiscriminado pode causar lesão aguda na mucosa gástrica e é contra-indicado em pacientes que já tiveram úlceras. Também possui ação anticoagulante que pode provocar sangramentos e hemorragias internas. Já os antiinflamatórios podem causar descompasso no quadro daqueles que têm problemas cardíacos, renais, além do aumento de pressão arterial. Os antigripais também podem aumentar a pressão arterial, além da intra-ocular e os batimentos cardíacos. Alguns deles também possuem substâncias que podem afetar a próstata gerando a retenção urinária.

Destaca-se que o consumo de medicamentos sem prescrição, tem sido favorecido pela multiplicidade de produtos farmacêuticos lançados no mercado e pela publicidade que os cerca, pela simbolização da saúde que o medicamento pode representar e pelo incentivo ao autocuidado, além de outros fatores.

Remédios Homeopáticos

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A automedicação, decisão de tomar remédios para as mais variadas doenças sem orientação médica, é totalmente condenável. Coibir essa prática, porém, não é tarefa das mais fáceis, visto que, se entrarmos numa farmácia e pedirmos um remédio para dor de cabeça, o vendedor nos fornecerá pelo menos cinco opções: comprimidos grandes, pequenos, amarelos, brancos, cor-de-rosa, com preços igualmente variáveis. Mas como se sabe que esses remédios são realmente indicados para dor de cabeça – um sintoma associado a muitas doenças, que vão desde a dengue até a meningite, passando pela gripe? É só ler a bula.

Uma característica do remédio alopático é, de fato, a presença de bula, que informa, e muito bem, as propriedades do remédio, mas numa linguagem direcionada para os médicos. O leigo, ao consultá-la, com certeza será induzido ao erro, pelo desconhecimento do significado da terminologia usada. Tomar um remédio para dor de cabeça sem saber a sua causa poderá, por exemplo, levar a uma dor de estômago ou, o que é pior, mascarar a moléstia real em curso.

Quando utilizamos a medicina homeopática para tratamento, uma das coisas que nos chama a atenção é a ausência de bula nos frascos de remédio. A Associação Brasileira de Farmacêuticos Homeopatas divulgou panfletos, em excelente trabalho de esclarecimento, explicando que o frasco de medicamento original e manipulado de acordo com a prescrição médica, deve conter:

1) A identificação do nome do estabelecimento (farmácia), com endereço, cidade, Estado e CNPJ – para garantir ao paciente que se trata de uma empresa que obedece as normas legais.

2) Nome do farmacêutico responsável e seu número de inscrição no Conselho Regional de Farmácia, assim como o nome do médico que fez a prescrição e seu competente registro no Conselho Regional de Medicina.

3) Nome do medicamento (por exemplo, Arnica montana); a potência (quantidade de vezes que o remédio foi dinamizado), que é indicada por um número; e o método de dinamização, o qual é representado por uma ou duas letras, em geral CH (centesimal hahnemanniano). Isso fica assim estampado no rótulo do frasco: Arnica montana 3 CH.

4) Fórmula farmacêutica, ou seja, glóbulos, tabletes, cápsulas, papéis, líquido; veículo, que pode ser sacarose (açúcar de cana) ou lactose (açúcar do leite), para a forma sólida, ou uma solução hidroalcoólica, para os líquidos; discriminação no rótulo do peso em gramas ou do volume em mililitros. Em relação à forma de apresentação, alguns critérios devem ser observados, considerando-se que pessoas diabéticas ou sensíveis à lactose devem preferir líquidos. Já pacientes com restrição de ingestão alcoólica devem preferir a forma de tabletes, glóbulos, papéis ou cápsulas.

5) Data de manipulação, isto é, quando o remédio foi fabricado, e sua validade (até quando o medicamento pode ser utilizado).

6) Via de administração (se de uso externo ou interno – para beber, mastigar, engolir)

Diante de qualquer dúvida, o farmacêutico tem a orientação de contatar o médico do paciente imediatamente.

Como se pode perceber, diante de todos esses cuidados, a automedicação torna-se bem mais difícil.

O grande norte da medicina homeopática é, na verdade, a individualização, que não mantém o foco nas doenças, mas sim nas pessoas que apresentam desequilíbrios e que, por isso, têm a saúde debilitada. Em homeopatia, não existe dor de cabeça pura e simplesmente, mas sim dor de cabeça que faz os olhos lacrimejarem, dor de cabeça do lado direito, dor de cabeça em salvas, dor de cabeça que aumenta com a luz, dor de cabeça após as refeições, etc. Cada uma delas requer um remédio específico. É por isso que o médico homeopata dedica muita atenção a todos os sintomas relatados pelo paciente, pois eles traduzem uma reação individual reveladora.

Para um diagnóstico correto é preciso investigar o corpo físico, a alimentação, os hábitos pessoais, o lado psicológico, os desejos, a filosofia de vida, o ambiente familiar e profissional do paciente. Quanto mais informações, maior a possibilidade de um resultado positivo rápido. É comum dizer-se que o tratamento homeopático é mais lento que o alopático. Isso, porém, não é verdade, já que cada paciente tem seu tempo próprio para reagir aos medicamentos.

De qualquer maneira, o paciente também precisa fazer a sua parte. Ele deve, por exemplo, tomar os remédios nos horários prescritos. Se precisar seguir algum tratamento alopático, tomar uma vacina ou utilizar qualquer tipo de pomada, ungüento, creme, óleo ou pasta, ele deve ligar antes para o homeopata.

Como os medicamentos homeopáticos não apresentam efeitos colaterais ou reações adversas, caso surjam sintomas diferentes após o início do tratamento, o paciente não deve ficar esperando o retorno da consulta para relatar o ocorrido ao médico, mas informá-lo logo para receber a devida orientação.

Alguns outros cuidados também devem ser observados, como evitar ou diminuir a ingestão de qualquer tipo de estimulante, caso do café e do chá- mate, por exemplo. Bebidas alcoólicas também devem ser evitadas, principalmente as destiladas, como aguardente, gin, uísque e vodca. A ingestão moderada de vinho ou cerveja, para quem está habituado, precisa ser autorizada pelo médico.

Recomenda-se não usar qualquer produto, seja de uso pessoal ou de limpeza doméstica, que contenha cânfora em sua fórmula, porque ela poderá anular a ação do medicamento homeo-pático.

É importante que, ao buscar a homeopatia, seja estabelecido um relacionamento de confiança, segurança e respeito entre paciente e médico, pois a mudança do profissional de saúde, no meio do tratamento, reinicia a pesquisa do diagnóstico. Além do mais, os sintomas inicialmente referidos podem ter-se alterado, o que dificulta a nova avaliação e leva a prescrições equivocadas.

Se o que levou o paciente a procurar um homeopata não é o desejo de substituir o tratamento alopático, então, o diálogo é fundamental, porque há um período muito especial em que, gradativamente, a medicação alopática é suspensa e a homeopática, introduzida.

A maneira de tomar o remédio deve seguir exatamente a prescrição do médico, pois ele sabe a forma mais eficiente para cada caso. Se a recomendação é para que seja tomado o medicamento em jejum, isso significa que a ingestão deve ser feita 30 minutos antes de qualquer alimento ou outro remédio. Se é para dissolver os glóbulos na língua, não se deve beber água junto. Quando o remédio pode ou deve ser tomado com água, o médico faz referência a essa situação na receita.

Ao Natural – O Crescimento da Fitoterapia

 

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“Minha terra tem palmeiras

onde canta o sabiá (…)
Nossas várzeas têm mais flores
Nossos bosques têm mais vida (…)
Minha terra tem primores
que tais não encontro eu cá”

Gonçalves Dias – Canção do exílio

Juliane Zaché

A flora brasileira sempre foi exaltada em verso e prosa, como no trecho acima do poema de Gonçalves Dias. Hoje em dia, porém, não é apenas a beleza de nossas florestas que encanta o mundo. A ciência está comprovando a eficácia de receitas populares, feitas à base de ervas, para tratar a saúde. Os pesquisadores sabem que existe um tesouro precioso nas entranhas das árvores e plantas nativas do Brasil. Por isso, pense duas vezes antes de recusar aquele chazinho de sua avó contra enjôos, por exemplo. A bebida pode ser eficaz. Por trás desta garantia estão estudos científicos de faculdades renomadas, como a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Além disso, tornou-se comum encontrar artigos sobre fitoterápicos (remédios elaborados com o princípio ativo de vegetais) em publicações científicas de prestígio, como a revista Lancet e o British Medical Journal. E a medicina dá respaldo à fitoterapia (tratamento à base de plantas medicinais). “Ela pode ser uma alternativa para as pessoas”, afirma o nefrologista Nestor Schor, da Unifesp, que pesquisa em seres humanos a planta quebra-pedra contra cálculos nos rins.

Não é só a medicina que acordou para a importância das plantas. Também estão pegando carona na onda verde os laboratórios farmacêuticos e as empresas de cosméticos. Essas indústrias descobriram que estão diante de um filão muito rentável. E, obviamente, não querem perder tempo. A consultoria Booz.Allen & Hamilton estima que o mercado mundial de fitoterapia movimente cerca de US$ 22 bilhões por ano. Em 2000, o setor faturou nos Estados Unidos US$ 6,3 bilhões. Na Europa, foram US$ 8,5 bilhões. No Brasil, não há estatísticas oficiais, mas calcula-se que o faturamento esteja na casa dos US$ 500 milhões. A previsão dos consultores é de que em 2010 esse montante passe a ser US$ 1 bilhão no País. Enquanto isso, o segmento vai se diversificando. Já se encontram nas farmácias desde medicamentos contra tensão pré-menstrual (TPM) até cremes antienvelhecimento. “É um mercado valioso, pois cerca de 20% dos microrganismos daqui não são encontrados lá fora”, afirma José Eduardo de Mello, vice-presidente de relações institucionais do Laboratório Aché, que investe na área. “O Brasil tem potencial para ser o grande produtor de novas drogas fitoterápicas”, acredita.

Impotência – Ainda assim, o consumidor brasileiro não deixa de recorrer a alternativas tiradas do jardim alheio. Um dos tratamentos fitoterápicos que vêm despertando a atenção de médicos e pacientes é a planta indiana Tribulus terrestris, comercializada no Brasil em forma de cápsulas e gel. Ela é indicada contra a falta de libido e a impotência. Recentemente, seus efeitos foram apresentados num congresso no Rio pelo ginecologista Décio Alves, coordenador do serviço de terapias naturais e acupuntura da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Pesquisas americanas já comprovaram a ação da planta nos casos de impotência. Alves está testando o remédio para tratar a falta de desejo associada à menopausa – quando o nível de hormônios se altera, diminuindo a lubrificação genital, entre outros efeitos. Aparentemente, com sucesso. “Por meio de mecanismos complexos, o vegetal aumenta em 30% a produção de testosterona (hormônio presente em baixas doses na mulher). Ele modifica os níveis de neurotransmissores no cérebro, estimulando o desejo e o bem-estar”, explica Alves. A carioca Frigg Lopes de Oliveira, 58 anos, está feliz com o tratamento. Há dois anos, ela entrou na menopausa. “Fiquei sem desejo sexual”, conta. Há seis meses, ela passou a usar a Tribulus. “Hoje me sinto mais viva e meu marido está adorando o resultado”, comemora.

Efeito – Contra a impotência, a planta é benéfica porque melhora a circulação sanguínea, o que facilita a irrigação do pênis e sua ereção. Alves vê ainda mais uma vantagem em usar a Tribulus em vez do Viagra. “A pílula ajuda apenas na vascularização local, enquanto a planta atua no sistema nervoso, no raciocínio e na memória, sendo que a boa performance sexual também é consequência da melhora geral da saúde”, justifica. Até o momento, Alves não notou nenhum efeito colateral em seus pacientes. Mas o médico não recomenda a planta, por exemplo, para quem já teve câncer de próstata. “Isso porque a doença está ligada ao aumento da testosterona”, esclarece. O especialista também ressalta a importância do acompanhamento médico durante o tratamento com a planta indiana.

Mas os nossos quintais também têm opções naturais para problemas sexuais, assim como outras alternativas para tratar diversas doenças. No primeiro caso, a sabedoria popular recomenda a nó-de-cachorro (Heteropterys aphrodisiaca O. Mach), muito encontrada na região do Pantanal. Lá, usam-se a raiz e a casca da erva, curtidas na cachaça, para preparar uma bebida com suposto efeito afrodisíaco. Por enquanto, essa ação ainda não foi testada. O interesse dos cientistas em relação ao vegetal está no campo da memória e do aprendizado. Pesquisadores da Unifesp fizeram estudos com ratos jovens e velhos. Para testar a memória dos roedores, os animais foram colocados em uma caixa com compartimentos que levavam a uma isca. Dentro dela havia um equipamento que dava choques se os bichos encostassem o nariz no local, instalado próximo ao alimento. “Os ratos jovens aprenderam rapidamente que não deviam atravessar a caixa, mas os idosos demoraram um pouco para perceber isso”, conta Elisaldo Carlini, professor do departamento de psicobiologia da Unifesp. Depois, durante sete dias todos os animais beberam um líquido à base do extrato da planta nó-de-cachorro. Novamente, eles foram colocados à prova. Só que dessa vez os ratos idosos aprenderam a lição tão bem quanto os jovens.

Sucesso – A experiência teve tanta repercussão que o Laboratório Biossintética, de São Paulo, adquiriu a patente da planta e está realizando pesquisas mais avançadas. “O nosso objetivo é criar no futuro um medicamento eficaz contra a perda de memória”, informa Márcio Falci, diretor médico do laboratório. Falci também vê outras qualidades que justificam o investimento de R$ 2 milhões na planta nó-de-cachorro. Para ele, o desenvolvimento de produtos fitoterápicos é trabalhoso, mas o processo é menos complexo do que fabricar remédios químicos. “A sabedoria popular já te dá pistas importantes sobre o uso medicinal das plantas, enquanto no caso dos sintéticos é preciso desenvolver uma molécula”, acrescenta.

Outro laboratório que também está interessado nas pesquisas da Unifesp é o Aché, que criou uma área de fitoterápicos. Mas a empresa está atenta à famosa espinheira-santa (Maytenus ilicifolia), que combate a úlcera – inflamação da parede estomacal. “Estamos começando os estudos com voluntários”, afirma José de Mello. No departamento dedicado ao mundo verde, estão em estudos o efeito terapêutico de plantas como a erva-baleeira, conhecida popularmente por atuar como antiinflamatório e também por agir contra a úlcera. O laboratório pretende desenvolver remédios a partir desses trabalhos. O Aché tem ainda projetos na região de Tocantins para analisar o potencial da vegetação do cerrado.

Quem também aposta na fitoterapia é a Ativos Farmacêutica, de Campinas (SP). Ela patenteou a pesquisa da planta artemísia (Artemisia annua) para avaliar a ação contra casos graves de malária – infecção causada pelo parasita Plasmodium –, resistentes à terapia convencional. O estudo, que teve resultados positivos, foi conduzido pela divisão de farmacologia e toxicologia da Universidade de Campinas (Unicamp). “Substâncias existentes na planta combatem a malária”, garante o farmacologista João Ernesto de Carvalho, um dos responsáveis pela pesquisa. “Estamos esperando a abertura de uma licitação, pois vamos tentar vender a droga para o governo, já que a malária é um problema de saúde pública”, diz Alexandre Frederico, diretor médico da Ativos. A Unicamp também está estudando a ação terapêutica de 30 plantas do Estado de São Paulo. Desse número, seis já mostraram benefícios contra células tumorais in vitro.

No sertão nordestino também se encontra um dos alvos da fitoterapia. A planta aroeira-do-sertão (Myracrodum uru de uva) está na mira da Universidade Federal do Ceará. Ela se mostrou eficaz no tratamento de feridas nos genitais e na virilha. “Os testes foram feitos apenas em ratos”, observa o farmacologista Francisco Matos, orientador da tese de mestrado baseada nessa experiência. “A aroeira tem várias substâncias que tratam a mucosa vaginal”, esclarece. Os benefícios da planta já eram conhecidos pelas sertanejas. Elas cozinham a casca de aroeira, despejam o líquido em uma bacia e fazem o famoso banho de assento.

Gripe – O amplo uso popular das ervas medicinais foi um dos fatores que levaram o cantor Luiz Melodia, 50 anos, a adquirir o hábito de recorrer às soluções naturais. “Desde criança, minha mãe preparava meu banho com erva-de-santa-maria para curar inflamações da pele”, recorda-se. Hoje, sempre que pode ele consome fitoterápicos, principalmente para enfrentar gripes e resfriados. Para casos em que uma simples gripe se agrava e se transforma em tuberculose, pesquisadores da Universidade Estadual do Estado de São Paulo, em Araraquara, descobriram uma alternativa natural. O trabalho, coordenado pela microbiologista Clarice Fujimura, mostrou que, em laboratório, o óleo essencial de eucalipto, do tipo Eucaliptus citriodora, teve ação tóxica contra a bactéria responsável pela doença. No momento, os especialistas tentam, por meio de técnicas complexas, aumentar a potência terapêutica do eucalipto.

As investidas não param por aí. A Fundação Oswaldo Cruz, do Rio, está criando um megahorto na zona oeste da cidade para a cultura de plantas medicinais. Cerca de 100 espécies serão cultivadas. Delas, 34 já vêm sendo estudadas para a produção de remédios. O Laboratório de Produtos Naturais, que pertence à instituição, investiga as propriedades farmacológicas de plantas normalmente consumidas pela população. Uma delas é a erva-cidreira brasileira. “Até agora se conhece o efeito da européia, usada como calmante”, diz o farmacêutico José Luiz Ferreira, um dos integrantes do projeto.

Mas o entusiasmo pelo poder verde não significa que as drogas químicas serão substituídas pelas fitoterápicas. “Dependendo do caso, se for necessário um resultado mais rápido, o ideal é indicar os sintéticos, que são mais potentes”, observa José Augusto Zuard, ginecologista do Rio que receita há três anos fitoterápicos para suas pacientes. “Eles são menos agressivos do que os medicamentos químicos, pois sua ação é mais lenta. Mas não dá para achar que, só porque é natural, a planta seja inofensiva”, ressalta. Certos remédios feitos com o princípio ativo de plantas só devem ser vendidos com prescrição médica. Os comercializados sem receita também exigem atenção. Para adquirir os remédios naturais com segurança é necessário seguir algumas regras, como o nome do farmacêutico responsável. Os fitoterápicos podem causar prejuízos ao organismo se não forem tomados com precaução. O ginko biloba, por exemplo, promete melhorar a memória, mas, se for consumido em excesso, pode causar fortes dores de cabeça. “Outra dica é evitar comprar a planta in natura, já que a olho nu não dá para ver se ela está contaminada”, avisa Luís Carlos Marques, farmacêutico da Universidade Estadual do Maringá (PR).

Os fitoterápicos são remédios sérios. Tanto é que a farmacologia (ramo da medicina que estuda medicamentos) surgiu a partir de pesquisas de substâncias extraídas de ervas. Atualmente, pelo menos 25% dos medicamentos alopáticos derivam de plantas – a aspirina, por exemplo, originalmente foi extraída da planta Salix alba (daí o nome de seu princípio: ácido salicílico). Uma das vantagens dos remédios naturais é o preço, em geral mais barato do que os dos medicamentos convencionais. É verdade que existem alguns fitoterápicos que pesam mais no bolso. De acordo com o farmacêutico Marques, esses remédios necessitam de várias etapas para serem produzidos, o que pode encarecê-los. De uma forma ou de outra, as pessoas passaram a recorrer mais às soluções vindas dos vegetais. “Houve uma inversão de valores. A população está buscando alternativas mais naturais, pois perceberam que a tecnologia não soluciona todos os problemas”, avalia o médico carioca Alexandros Botsaris, especialista em fitoterapia. É o caso da consultora de marketing Roseclair Fujita, 40 anos, de São Paulo. Desde a adolescência, ela usa fitoterápicos. “Qualquer problema que tenho, lanço mão deles”, conta. O hábito se estendeu à família. Seus filhos, Jade, 19 anos, e Ubiatan, 17, também são adeptos da linha natureba. Ainda mais quando o tratamento veio da flora brasileira. “É preciso valorizar o que é nosso”, diz Roseclair.

Hormônios – Entre os consumidores de fitoterápicos estão muitas mulheres. Principalmente as que entram na menopausa. Nesse período, é comum elas receberem reposição hormonal (com drogas químicas) para evitar sintomas como ondas de calor. Uma alternativa para essas pacientes é o uso de fito-hormônios, como o Clifemin (à base da planta canadense Cimicifuga racemosa), do Laboratório Herbarium, de Curitiba. Os fito-hormônios têm substâncias encontradas nas plantas que possuem a estrutura química ou atividade semelhante ao dos hormônios produzidos pelo organismo, como a progesterona. Só que a ação deles é mais leve do que a reposição hormonal tradicional. “Dessa forma, os efeitos colaterais são menores”, assegura Carina do Amaral Gurgel, farmacêutica da Naturativa, farmácia de manipulação, no Rio. Os fito-hormônios são muito indicados para mulheres com casos de câncer na família. Isso porque há relação entre a reposição química de progesterona (cujo nível se altera durante a menopausa) e o surgimento de tumores. Por estar dentro desse grupo de risco, Rogélia Pereira Ferreira, 47 anos, adotou o fito-hormônio. Ela usa o fitoterápico chinês Dong Quai (feito com a raiz da Angelica sinensis), um dos lançamentos da farmácia Naturativa, do Rio. “Tinha ondas de calor, que diminuíram bastante”, conta. “A planta é rica em fitoestrógenos, compostos que substituem a carência de hormônios do organismo”, explica Carina.

Sensibilidade – Há também opções para quem sofre de TPM, distúrbio provocado por alterações hormonais e caracterizado por sintomas como irritabilidade e cansaço. No mercado fitoterápico, uma alternativa está fazendo sucesso: as cápsulas de óleo de prímula. A advogada Regina Teixeira, 31 anos, está contente com o uso da planta. “Sentia muitas dores musculares. Nem analgésicos adiantavam. Os sintomas diminuíram com as cápsulas”, diz. O princípio ativo que comanda sua ação contra a TPM é o ácido gama linolênico, extraído de sementes de prímula. “O linolênico regula a liberação de prostaglandina, substância que atua nas reações inflamatórias e ajuda a diminuir a dor. Quando seu nível cresce durante a TPM, a sensibilidade também aumenta”, explica o ginecologista Eliezer Berenstein, autor do livro Inteligência hormonal da mulher (Editora Objetiva). Mas ele adverte que, no caso de sintomas como compulsão alimentar e retenção de liquidos, a prímula não mostra bons resultados.

As mulheres são beneficiadas pela fitoterapia também na área de cosméticos. A farmácia Naturativa, por exemplo, tem como novidade o creme Iris Iso, extraído do lírio. Ele promete fortalecer a pele e hidratá-la. Também na linha beleza, há mais opções. Em 2000, a Natura lançou a família Ekos, com produtos feitos a partir de substâncias de plantas. Inspirada nas riquezas da Amazônia, o objetivo é resgatar os hábitos medicinais da população. Este ano, a Natura deu mais uma tacada no segmento. Comprou o laboratório carioca Flora Medicinal, que atua no setor há 89 anos. “Queremos continuar mantendo a imagem de uma empresa que se preocupa com a saúde”, ressalta Eduardo Luppi, diretor-geral da Flora Medicinal, recém-adquirida.

Benefício – Os homens também tiram proveito da onda verde. O Instituto de Beleza Anna Pegova, em São Paulo, lançou sua linha de fitoterápicos, composta por produtos como Circuline, cápsulas feitas com folhas de uva. A empresa garante que o medicamento estimula a circulação sanguínea, evitando dores nas pernas, por exemplo. O corretor de imóveis José Arnaldo Casasus, 37 anos, de São Paulo, toma o remédio para prevenir inchaço nas pernas. “Sinto-me mais disposto a realizar minhas caminhadas”, garante. A incorporação de princípios ativos extraídos de plantas por diversos segmentos da sociedade reforça o poder da fitoterapia. E mostra que algumas soluções para nossos problemas podem estar florescendo bem diante de nossos olhos.

Colheita na hora certa

A planta é um organismo vivo e suas estruturas são engenhosas como o corpo humano. E não funcionam sempre da mesma forma. A espécie pode sofrer, por exemplo, com a ação do tempo, o que altera a concentração de seus princípios ativos. Sendo assim, é importante saber a hora certa de colher o vegetal, pois suas substâncias são mais potentes numa determinada estação. “Se ela não for colhida na época ideal, é preciso usar técnicas especiais de cultivo para aumentar a presença dos componentes”, ressalta Luis Vitor do Sacramento, botânico da Universidade Estadual de São Paulo, em Araraquara. Uma das funções do especialista é sair a campo para identificar informações sobre as plantas e analisá-las em laboratório.

Sem padrão definido

Um obstáculo que os fabricantes de fitoterápicos são obrigados a enfrentar é a ausência de padrões na dosagem dos princípios ativos das plantas que formam a base de um medicamento. Isso significa, por exemplo, que um laboratório pode produzir um extrato com 20% de uma substância e outro com apenas 10%. “Obviamente, a qualidade do produto fica comprometida”, diz Olga Mellone, diretora médica do Laboratório White Hall, em São Paulo. A Agência Nacional Vigilância Sanitária (Anvisa) está atenta à questão. O órgão diz que só dá para controlar o problema exigindo estudos científicos dos fabricantes. “Não adianta ir na mata pegar folhas e fazer um chazinho”, diz Maurício Viana, gerente de medicamento da instituição.

Tesouro brasileiro ameaçado

Não resta dúvida sobre a riqueza da flora brasileira. Mas ainda há muitos espinhos envolvidos com a exploração de nossas matas. Para alguns especialistas, um obstáculo é a ineficácia da legislação. A Resolução 17/2000, que regulamenta a fitoterapia, estipula um prazo de dez anos de estudos para comprovar a ação das plantas. “É um tempo longo para pesquisas. Alguns empresários preferem investir nas plantas chinesas com efeito já comprovado”, diz Elisaldo Carlini, da Universidade Federal de São Paulo. Maurício Viana, gerente de medicamentos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), desconhece essa fixação de prazo. Ele informa que a agência exige apenas estudos sérios comprovando os efeitos dos vegetais. Os especialistas se queixam também da atuação dos órgãos governamentais. “Procurei a Anvisa para saber o número de empresas de fitoterápicos no Brasil. Até agora não obtive os dados”, lamenta Magrid Teske, presidente da Associação Brasileira da Indústria Fitoterápica.

Enquanto isso, investidores estrangeiros fazem cerco à flora brasileira. Por essa razão, o governo planeja construir uma empresa de biotecnologia na Amazônia e assim controlar a exploração da floresta. “Nós perdemos o bonde da ciência e da química, mas não podemos perder o da fitoterapia”, afirma José Bandeira Mello, do Laboratório Aché. “Falta uma política nacional, envolvendo governo, universidade e indústria farmacêutica”, conclui João Calixto, da Universidade Federal de Santa Catarina.

Multinacionais Farmacêuticas Manipulam Publicações Científicas

img112654.jpg Vale-Tudo pelo $$$????

Qual a confiabilidade destes artigos “científicos”? Em congressos médicos, muitos professores apresentam simpósios  e palestras sobre produtos de laboratórios patrocinadores. Você consegue confiar?

Médico sugere moratória de publicações

Para Richard Smith, ex-editor de revista médica, farmacêuticas manipulam periódicos para propaganda

Um tanto constrangido, o britânico Richard Smith, 53, confessa que passou quase 25 anos como editor de uma das maiores revistas médicas de seu país, a “British Medical Journal”, sem atinar para a influência que as empresas farmacêuticas estavam tendo sobre as publicações do ramo.

Dois anos atrás, em plena Veneza, ele teve tempo de ler o que havia sido publicado sobre a relação entre essas publicações e a indústria. Smith percebeu que, por meio de estratégias discretas, as empresas fazem seus remédios parecerem muito melhores do que realmente são. Além disso, atrelariam as revistas a seus interesses comprando milhões em artigos reimpressos e distribuindo-os para médicos do mundo todo.

Por isso, num artigo publicado em maio na revista científica “PLoS Medicine” (que pertence a um grupo de periódicos de acesso gratuito do qual Smith é um dos diretores), ele defendeu um passo radical: cancelar toda e qualquer publicação de testes clínicos de medicamentos nos periódicos científicos. Só assim pesquisadores e médicos seriam capazes de examinar com um olhar mais crítico o potencial e os perigos de cada remédio para as pessoas. De seu escritório em Londres, Smith falou à Folha por telefone.

Folha – Como o sr. passou a tomar consciência da influência negativa da indústria farmacêutica sobre as publicações médicas?

Richard Smith -No começo de 2003, eu consegui dois meses de licença sabática [do "British Medical Journal"] num “palazzo” do século 15 em Veneza, onde eu estava escrevendo um livro sobre ética de publicação e revistas científicas. Foi meio que um tempo para olhar as coisas de outra perspectiva e também de ler uma batelada de coisas.

Eram coisas que eu ainda não tinha lido, e que provavelmente deveria ter lido, como o artigo que citei no meu texto. Nele, os pesquisadores examinaram todos os testes clínicos de drogas antiinflamatórias contra artrite e descobriram que não havia um só cujos resultados não fossem favoráveis à empresa patrocinadora. E isso meio que me atingiu. Eu pensei: “Minha nossa, 58 testes e nem unzinho não-favorável!”.

E foi então que a ficha caiu. Logo depois disso nós publicamos um número do “BMJ” sobre médicos e companhias farmacêuticas, com uma revisão sistemática desse tipo de estudo, investigando se normalmente os patrocinadores conseguiam resultados favoráveis. E, de novo, conseguiam.

E de repente pensei: “Meu Deus! Aqui estamos nós em meio ao processo de decidir quais testes clínicos publicar, mas a realidade é que praticamente todos são favoráveis às empresas”.

Não é que elas estejam mexendo nos resultados, não é fraude. Não é que elas estejam enterrando os resultados desfavoráveis, embora eu ache que isso exista. É mais o fato de que elas são espertas em relação às perguntas que fazem. Então a ficha realmente caiu enquanto eu lia aquele artigo.

Folha – Além da questão da eficácia das drogas propriamente dita, o sr. afirma que os estudos com avaliações econômicas de determinados medicamentos costumam ser ainda mais favoráveis aos fabricantes. A que eles se referem?

Smith – Eles tratam da relação custo-benefício de um remédio. Publicávamos muitos no “BMJ”, não apenas com avaliações econômicas de drogas mas também de outras coisas. O significado deles é o seguinte: se você prescrever essa e essa droga -que muitas vezes são caras-, as pessoas podem dizer que não são capazes de pagar por elas. Mas as avaliações econômicas vão mostrar que há benefícios substanciais em termos de reduzir hospitalizações, ou reduzir visitas ao médico. Assim, embora seja caro prescrever a droga, o gasto final é menor.

Em tese, acredito nisso, mas aí fico preocupado ao ver que, em todo santo caso, as avaliações econômicas favorecem a empresa.

Folha – Em seu trabalho, o sr. menciona o caso de dois remédios, a risperidona [usada contra náuseas] e o odansetron [para tratar esquizofrenia], como emblemático do procedimento de “fazer as perguntas certas” da indústria. Como os testes mostram isso?

Smith – No caso da risperidona, foi um artigo publicado no “Lancet” [importante revista médica britânica], e o que ele demonstrava era o seguinte. Se você examinasse os testes clínicos, vários dos quais haviam sido publicados em revistas diferentes, a maioria demonstrava que a risperidona era bem eficaz. Mas, quando contava os pacientes daqueles testes, descobria que muitos deles tinham sido publicados mais de uma vez.

Poderia parecer que eram uns 20 testes diferentes, mas na verdade é um número muito menor, fatiado e servido de maneiras diferentes. Isso permite um monte de possibilidades. Vamos publicar um teste com todos os pacientes, vamos publicar o estudo que foi feito no Brasil numa revista brasileira, vamos pegar todos os estudos feitos na Europa e juntá-los… Então, a evidência que parece sugerir que o remédio é bom não é tão substancial assim.

No caso do odansetron, o que eles demonstraram foi, mais uma vez, essa sobreposição de pacientes. Onde havia testes com resultados positivos, eles tendiam a ser publicados mais de uma vez.

Existe um conceito conhecido como “número de pacientes necessário para tratar” uma doença -o número necessário para se conseguir um ataque do coração a menos, um derrame a menos ou seja lá o que for. No caso do odansetron, parecia haver menos pessoas ficando doentes. E, claro, quanto menor o número de pacientes necessário para tratar, melhor. E o que o estudo mostrou é que esse número é maior se você eliminar a sobreposição.

Folha – Quando estudos clínicos são publicados numa revista médica, normalmente eles são produzidos por cientistas independentes ou pelas próprias empresas?

Smith -Cada vez mais esses testes são feitos por coisas conhecidas como organizações de pesquisa por contrato, ou CROs. São empresas independentes, pagas pelas companhias farmacêuticas para fazer o teste. É cada vez mais comum elas fazerem isso, e não contatarem um grupo acadêmico.

Na verdade, a maior parte dos grupos acadêmicos vai acabar dizendo: “Bem, não é uma coisa cientificamente muito criativa de se fazer”. Meu conselho para um grupo acadêmico seria: vocês nunca devem assinar um contrato no qual outras pessoas decidem sobre a publicação. Por outro lado, uma CRO iria aceitar isso.

Folha – E quanto ao chamado “ghost-writing” [no qual uma pessoa contratada escreve o artigo e outro pesquisador é convidado a assiná-lo]? É um problema significativo no momento?

Smith – Eu acho que é difícil saber quão grande é o problema, quase por definição você não sabe muito bem. Mas eu acho que pode ser bastante comum a publicação de artigos escritos por pessoas cujos nomes não aparecem. Eu não vejo realmente um problema no fato de que um profissional escreva um artigo -desde que esteja declarado. Assim como você tem um estatístico para te aconselhar na área dele, não vejo por que não possa pedir para que um escritor profissional faça o texto, desde que todo mundo seja listado como autor ou contribuinte.

O problema é quando essas pessoas não aparecem, e acho que é particularmente um problema em textos opinativos e editoriais. Um amigo meu é decano de uma faculdade de medicina aqui em Londres e, há algumas semanas, recebeu um artigo escrito por outra pessoa dizendo “você estaria disposto a colocar seu nome aqui?”. Não sei o quanto isso acontece, mas acontece mesmo.

Folha – O sr. acha que há algum defeito no próprio sistema de “peer-review” [revisão por pares, na qual cientistas da mesma área que os autores de uma pesquisa dão parecer anônimo sobre ela] que favoreça essas distorções?

Smith – De fato, quando você examina o “peer-review”, há uma série de problemas com ele. É lento, caro, enviesado, está sujeito a abusos, não acha erros. Fizemos um estudo no qual pegamos um artigo de 600 palavras com 38 erros e o mandamos para 400 revisores. Ninguém achou mais que cinco erros, 20% dos revisores não achou nenhum e o número médio encontrado foi apenas ligeiramente superior a dois.

Folha – Como seus colegas reagiram à proposta de uma moratória na publicação de estudos clínicos?

Smith -Acho que a maioria das pessoas considerou que era um passo radical demais. Mas acho que, da maneira que as revistas são hoje, se você tirasse os grandes testes, o valor delas cairia dramaticamente. Não apenas em termos de não conseguir vender mais as reimpressões, mas essa também é uma das principais razões que levam as pessoas a assinar as revistas.

Eu sou da escola que acredita que tudo deveria ser aberto para todo mundo e gostaria de ver os testes disponíveis numa base de dados. O papel das revistas seria descobrir quais eram realmente importantes, comentá-los, criticá-los e apresentar seus resultados a médicos e pacientes.

Fonte: Folha de São Paulo, 12/07/05 e artigo do Dr. Richard Smith: http://medicine.plosjournals.org/perlserv?request=get-document&doi=10.1371/journal.pmed.0020138

O que é fitoterapia?

É a cura através das plantas. Esquecidas durante muito tempo pelos ocidentais, as ervas medicinais hoje reassumem seu papel como o mais valioso recurso terapêutico oferecido pela natureza.

A Fitoterapia consiste no conjunto das técnicas de utilização dos vegetais no tratamento das doenças e na recuperação da saúde. Comporta numerosas escolas que estudam e empregam as plantas medicinais, das mais simples e empíricas, às cientificas e experimentais.

Como método terapêutico, a Fitoterapia faz parte dos recursos da medicina natural e está presente também na tradição da medicina popular e nos rituais de cura indígenas. Em sua forma mais rigorosa, abrange os princípios e as técnicas da botânica e da farmacologia.

Embora muitas pessoas ignorem a importância das plantas medicinais, sabe-se que toda a farmacologia tem como base exatamente os princípios ativos das plantas. Na verdade, a farmacologia moderna não existiria sem a botânica, a toxicologia e a herança de conhecimentos adquiridos através de séculos de prática médica ligada ao emprego dos vegetais.

Apesar do avanço da tecnologia, que diariamente cria novos compostos e substâncias sintéticas com poderes medicinais, mais de 40% de toda a matéria-prima dos remédios encontrados hoje nas farmácias continua sendo de origem vegetal.

Portanto, a Fitoterapia é um recurso de prevenção e tratamento de doenças através das plantas medicinais. É a forma mais antiga e fundamental de medicina. A cada dia, as plantas ganham seu espaço como aliadas no reequilíbrio físico do ser humano. É uma terapia com a propriedade de auxiliar na cura de males profunda, integral e não-agressiva, pois estimula as defesas naturais do organismo e reintegra o ser humano às suas raízes.

As plantas medicinais vêm sendo usadas por todos os povos e culturas, desde a antiguidade, como principal forma de tratamento e manutenção da saúde. Isto, por si só, é considerado uma prova de eficácia pela Organização Mundial de Saúde. Atualmente, com o desenvolvimento da tecnologia, aliado ao interesse em se confirmar o conhecimento da medicina popular, as plantas medicinais estão tendo seu valor terapêutico pesquisado e ratificado pela ciência e seu uso pelos médicos vem crescendo.bam_f17g.jpg

Homeopatia X Florais de Bach

Muita gente confunde os Florais de Bach com Homeopatia.edward_bach.jpg Edward Bach era um médico homeopata inglês, e criou um sistema novo de tratamento, usando flores.

Os Florais de Bach – preparados líquidos e naturais, feitos a partir de flores de arbustos e árvores silvestres – não são iguais aos remédios homeopáticos. Veja as diferenças:

# Na Homeopatia, forma terapêutico-médica de tratamento que estuda o corpo como um todo e não trata as doenças ou sintomas isoladamente, há vários níveis de diluições de remédios. Nas essências florais, há somente um nível de diluição;

# A Homeopatia trabalha com os três reinos: mineral, vegetal e animal. As essências florais trabalham apenas com o reino vegetal;

# A Homeopatia pode agir no físico, no mental e no emocional. As essências florais atuam especificamente no emocional (refletindo em outros corpos ou níveis).

# Os remédios homeopáticos são prescritos pelo princípio da semelhança. Por exemplo: o veneno de abelha (apitoxina) causa inchaço e irritação na pele e é usado homeopaticamente para tratar sintomas parecidos, como alergia.
Já a prescrição dos Florais de Bach é mais intuitiva. O terapeuta tem que detectar o problema emocional do paciente, para receitar os florais.

Sono e Depressão em Crianças

Um estudo publicado na revista SLEEP, especializada em distúrbios do sono, em 1º de janeiro, afirma que crianças que dormem pouco ou demais têm mais sintomas de depressão e/ou de ansiedade. O estudo foi realizado na Universidade de Pittsburgh com 553 crianças deprimidas, das quais 72,7% apresentavam distúrbios do sono!!! O distúrbio mais comum era insônia, enquanto o mais grave era a associação de insônia à noite e sonolência durante o dia. Observe como seu filho dorme, isso pode significar muito.

Fonte: http://www.sciencedaily.com/releases/2007/01/070101104155.htm

Seu médico pode fazer mal para sua saúde

O médico Vernon Coleman diz que os hospitais mais matam do que curam e que é preciso ser muito saudável para sobreviver a um deles
Por Sérgio Gwercman


Um selo colado na testa advertindo sobre os perigos que podem causar à saúde. Se dependesse do inglês Vernon Coleman, esse seria o uniforme ideal dos médicos. Dono de um diploma em medicina e um doutorado em ciências, Coleman abandonou a carreira após dez anos de trabalho para ganhar a vida escrevendo livros com títulos sugestivos do tipo Como Impedir o seu Médico de o Matar. Autor de 95 livros, o inglês é um auto-intitulado defensor dos direitos dos pacientes. Em seus textos, publicados nos principais jornais do Reino Unido, costuma atacar a indústria farmacêutica – para ele, a grande financiadora da decadência – e, principalmente, os médicos que recusam tratamentos que excluam a utilização de remédios e cirurgias. Dono de opiniões polêmicas, Coleman ainda afirma que 90% das doenças poderiam ser curadas sem a ajuda de qualquer droga e que quanto mais a tecnologia se desenvolve, pior fica a qualidade dos diagnósticos.

Como um médico deve se comportar para oferecer o melhor tratamento possível a seu paciente?
Os médicos deveriam ver seus pacientes como membros da família. Infelizmente, isso não acontece. Eles olham os pacientes e pensam o quão rápido podem se livrar deles, ou como fazer mais dinheiro com aquele caso. Prescrevem remédios desnecessários e fazem cirurgias dispensáveis. Ao lado do câncer e dos problemas de coração, os médicos estão entre os três maiores causadores de mortes atualmente. Os pacientes deveriam aprender a ser céticos com essa profissão. E os governos, obrigá-los a usar um selo na testa dizendo “Atenção: este médico pode fazer mal para sua saúde”.

Qual a instrução que pacientes recebem sobre os riscos dos tratamentos?
A maior parte das pessoas desconhece a existência de efeitos colaterais. E grande parte dos médicos não conhece os problemas que os remédios podem causar. Desde os anos 70 eu venho defendendo a introdução de um sistema internacional de monitoramento de medicamentos, para que os médicos sejam informados quando seus companheiros de outros países detectarem problemas. Espantosamente, esse sistema não existe. Se você imagina que, quando uma droga é retirada do mercado em um país, outros tomam ações parecidas, está errado. Um remédio que foi proibido nos Estados Unidos e na França demorou mais de cinco anos para sair de circulação no Reino Unido. Somente quando os pacientes souberem do lado ruim dos remédios é que poderão tomar decisões racionais sobre utilizá-los ou não em seus tratamentos.

Você considera que os médicos são bem informados a respeito dos remédios que receitam a seus pacientes?
A maior parte das informações que eles recebem vem da companhia que vende o produto, que obviamente está interessada em promover virtudes e esconder defeitos. Como resultado dessa ignorância, quatro de cada dez pacientes que recebem uma receita sofrem efeitos colaterais sensíveis, severos ou até letais. Creio que uma das principais razões para a epidemia internacional de doenças induzidas por remédios é a ganância das grandes empresas farmacêuticas. Elas fazem fortunas fabricando e vendendo remédios, com margens de lucro que deixam a indústria bélica internacional parecendo caridade de igreja.

E o que os pacientes deveriam fazer? Enfrentar doenças sem tomar remédios?
É perfeitamente possível vencer problemas de saúde sem utilizar remédios. Cerca de 90% das doenças melhoram sem tratamento, apenas por meio do processo natural de autocura do corpo. Problemas no coração podem ser tratados (não apenas prevenidos) com uma combinação de dieta, exercícios e controle do estresse. São técnicas que precisam do acompanhamento de um médico. Mas não de remédios.

Receber remédios não é o que os pacientes querem quando vão ao médico?
É verdade que muitos pacientes esperam receber medicamentos. Isso acontece porque eles têm falsas idéias sobre a eficiência e a segurança das drogas. É muito mais fácil terminar uma consulta entregando uma receita, mas isso não quer dizer que é a coisa certa a ser feita. Os médicos deveriam educar os pacientes e prescrever medicamentos apenas quando eles são essenciais, úteis e capazes de fazer mais bem do que mal.

Que problemas os remédios causam?
Sonolência, enjôos, dores de cabeça, problemas de pele, indigestão, confusão, alucinações, tremores, desmaios, depressão, chiados no ouvido e disfunções sexuais como frigidez e impotência.

Em um artigo, você cita três greves de médicos (em Israel, em 1973, e na Colômbia e em Los Angeles, em 1976) e diz que elas causaram redução na taxa de mortalidade. Como a ausência de médicos pode diminuir o risco à vida?
Hospitais não são bons lugares para os pacientes. É preciso estar muito saudável para sobreviver a um deles. Se os médicos não matarem o doente com remédios e cirurgias desnecessárias, uma infecção o fará. Sempre que os médicos entram em greve as taxas de mortalidade caem. Isso diz tudo.

Muitas pessoas optam por terapias alternativas. Esse é um bom caminho?
Em diversas partes do mundo, cada vez mais gente procura práticas alternativas em vez de médicos ortodoxos. De certa maneira, isso quer dizer que a medicina alternativa está se tornando a nova ortodoxia. O problema é que, por causa da recusa das autoridades em cooperar com essas técnicas, muitas vezes é possível trabalhar como terapeuta complementar sem ter o treinamento adequado. Medicina alternativa não é necessariamente melhor ou pior que a medicina ortodoxa. O melhor remédio é aquele que funciona para o paciente.

Em um de seus livros, você afirma que a tecnologia piorou a qualidade dos diagnósticos. A lógica não diz que deveria ter acontecido o contrário?
Testes são freqüentemente incorretos, mas os médicos aprenderam a acreditar nas máquinas. Quando eu era um jovem doutor, na década de 70, os médicos mais velhos apostavam na própria intuição. Conheci alguns que não sabiam nada sobre exames laboratoriais ou aparelhos de raio X e mesmo assim faziam diagnósticos perfeitos. Hoje, os médicos se baseiam em máquinas e testes sofisticados e cometem muito mais erros que antigamente.

Você faz ferrenha oposição aos testes médicos realizados com animais em laboratórios. De que outra maneira novas drogas poderiam ser desenvolvidas?
Faz muito mais sentido testar novas drogas em pedaços de tecidos humanos que num rato. Os resultados são mais confiáveis. Mas a indústria não gosta desses testes porque muitos medicamentos potencialmente perigosos para o homem seriam jogados fora e nunca poderiam ser comercializados. Qual o sentido de testar em animais? Existe uma lista de produtos que causam câncer nos bichos, mas são vendidos normalmente para o uso humano. Só as empresas farmacêuticas ganham com um sistema como esse.

O que você faz para cuidar da saúde?
Eu raramente tomo remédios. Para me manter saudável, evito comer carne, não fumo, tento não ficar acima do peso e faço exercícios físicos leves. Para proteger minha pressão, desligo a televisão quando médicos aparecem na tela apresentando uma nova e maravilhosa droga contra depressão, câncer ou artrite que tem cura garantida, é absolutamente segura e não tem efeitos colaterais.

ACUPUNTURA REDUZ EM 12,5% O USO DE ANTIINFLAMATÓRIOS POR PACIENTES DA REDE PÚBLICA DE CAMPINAS

Nos idos de 2005, Campinas nem imaginava que viria se transformar num exemplo de como a acupuntura pode promover o bem estar dos cidadãos. Sua rede de saúde possuía 30 médicos acupuntores, sendo que 19 atuavam em outras especialidades e 11 eram muito mal aproveitados.

A história começou a mudar, em outubro daquele ano, quando a AMBA (Associação Médica Brasileira de Acupuntura) deu início a uma relevante ação de valorização da especialidade. Em conjunto com a Coordenadoria de Saúde Integrativa, promoveu um curso formação na Yamamoto New Scalp Acupuncture (YNSA). Criado em meados de 1970 pelo dr. Toshikatsu Yamamoto, a técnica é uma modalidade de acupuntura em que as regiões de aplicação ficam na cabeça. Atua no combate à dor, seqüelas de Acidente Vascular Cerebral (AVC), entre outros benefícios.

Na oportunidade, 60 médicos foram capacitados e puderam participar do Simpósio Internacional Brasil/Japão, na cidade de São Paulo, com a presença do dr. Toshikatsu Yamamoto. Logo em seguida, no início de 2006, Campinas criou os primeiros ambulatórios para tratamento de dor e outras patologias baseado na técnica.

Ótimos resultados em dez meses

A utilização de medicamentos para a redução dos quadros dolorosos de qualquer natureza sempre foi motivo de preocupações, devido aos efeitos colaterais, como gastrites, lesões hepáticas e renais a longo prazo. Só para ter uma idéia, em Campinas, em 2003, o consumo mensal foi de 534.336 comprimidos de diclofenaco de sódio. Em 2004 houve a média mensal de 601.856, e em 2005 de 644.366.

Em 2006 esperava-se que o consumo mensal atingisse a faixa de 700.000 comprimidos de antiinflamatórios. Porém, a média mensal de utilização está em 570.000 comprimidos, demonstrando a redução de 74.336 comprimidos (12,5 por cento em relação ao ano passado), tendo como a única variável neste universo, a técnica de YNSA.

De acordo com o coordenador de Saúde Integrativa, dr. Willian Hyppólito Ferreira, o sucesso e os bons resultados do projeto devem-se à iniciativa levada adiante em conjunto com a AMBA, que ministrou diversas aulas para os médicos de Campinas. E também à dedicação dos que estão realizando a técnica nas Unidades Básicas de Saúde e outros locais, diminuindo a dor dos pacientes, enquanto realizam as hipóteses diagnósticas necessárias, e os respectivos tratamentos de cada patologia.

Hoje, 95 médicos da cidade já se utilizam desta técnica para o alívio da dor em seus pacientes, correspondendo a 10% por cento de médicos da rede municipal de saúde local. O melhor de tudo é que a experiência vitoriosa já começou a ser levada a outras regiões:

“Realizamos recentemente um curso idêntico em Piracicaba e a idéia é repeti-lo em regiões de São Paulo e também de outros estados. Precisamos abrir novos espaços para a acupuntura, isso é fundamental para a valorização do médico acupuntor, e proporciona melhor qualidade de vida à população e ainda com redução do custo de saúde”, comenta Ruy Tanigawa, presidente da AMBA.

O quê e onde estudei

Sou médico atendendo no Rio de Janeiro e em Nova Friburgo (RJ) , trabalhando com Medicina Homeopática, Acupuntura Médica e Psicoterapia baseada na Biografia Humana.

Natural de São Gonçalo (RJ), nasci em 1965, estudei no Colégio Municipal Presidente Castello
Branco até a oitava série. Fiz o Ensino Médio (no meu tempo chamava-se Segundo Grau) em Niterói, no Instituto Gay-Lussac. Passei no Vestibular para Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde estudei até 1989.

Em 1987, ainda durante a Faculdade, entrei para a Escola de Psicanálise de Niterói (já destruída por sucessivas dissidências), onde participei do curso de formação de Psicanalistas por 2 anos.

Após graduar-me como médico, porém, decidi trabalhar como Pediatra (especialidade em que fiz internato), abandonando a prática de Psicanalista. Devo a meus estudos em Psicanálise a capacidade de ouvir os pacientes de forma a reconhecer o que necessita ser tratado em cada caso.

Em 1993 fui aprovado no Concurso para Título de Especialista em Pediatria, da Sociedade Brasileira de Pediatria, tornando-me Especialista em Pediatria.

Em 1990 comecei o Curso de Especialização em Homeopatia da Sociedade de Homeopatia do Estado do Rio de Janeiro (SOHERJ), mas, após 1 ano, resolvi mudar para o curso do Instituto Hahnemanniano do Brasil (IHB), a mais tradicional escola de Homeopatia do país, fundada há mais de 100 anos, onde concluí em 1993.

Em 1994 participei do Curso de Fitoterapia promovido pela AFHERJ (Associação de Farmacêuticos Homeopatas do Estado do Rio de Janeiro).

Em 1997 fui a Kathmandu, no Nepal, onde trabalhei voluntariamente no Himalayan Healing Centre, fundação assistencial mantida pelo Lama Gangchen Rimpoche. Nessa oportunidade, entrei em contato com diversos ramos da Medicina Oriental, como Medicina Ayurvedica, Medicina Tibetana, Yogaterapia, … e fiquei fascinado pelos métodos usados e resultados obtidos em muitos, milhões mesmo, de pacientes. Fiz diversos cursos lá e, desde então, estou destrinchando os detalhes nas dezenas de livros que comprei lá (não sou rico, os livros lá no Nepal e na Índia são baratos demais!), tiro as dúvidas (que não são poucas) com os meus professores de lá (Dr. Rajesh e Dr. Koiralla). Contudo, o que mais ficou desta experiência foi a forma de atender o paciente, como um ser humano integral, que sente dor, que sente emoções, que tem doenças orgânicas mas continua sendo uma pessoa que sofre.

Em 1998 comecei a Pós-Graduação em Acupuntura e Eletroacupuntura na ABACO (Academia Brasileira de Arte e Ciência Oriental), no Rio de Janeiro, tendo concluído em agosto de 2000.

Em 2000, participei de um curso de introdução à Antroposofia, promovido pelo GAIA – RJ (Grupo de Iniciativas Antroposóficas do Rio de Janeiro). Voltei em 2006 para fazer o curso de Fundamentação em Antroposofia.

A partir de 2000 comecei a participar do workshop do GEHSH (Grupo de Estudos Homeopáticos Samuel Hahnemann), no Rio de Janeiro, sob a coordenação do “Tio” Aldo Farias Dias, um Mestre no sentido mais amplo da palavra! E participei do workshop até dezembro de 2005. Sinto falta…

Em 2005, trouxemos o “Tio” Aldo para um Seminário em Nova Friburgo, e isso gerou um grupo, que batizamos de Hydrogenium, pelo desejo de ser um com o todo, e estamos reestudando os medicamentos homeopáticos pela Abordagem Sistêmica e fazendo patogenesias.

Desde 2005 participo do curso de Formação em Terapia Biográfica, promovido pelo Núcleo de Formação Biográfica de Minas Gerais, sob a coordenação das professoras Angélica Justo e Berenice von Rückert. Com este curso, retorno às origens de minha carreira, quando meu interesse principal era a Psicanálise.

Em 2006 iniciei uma outra especializalização em Plantas Medicinais, desta vez na UFLA (Universidade Federal de Lavras).

Sou professor de Acupuntura no curso de Pós-Graduação em Acupuntura do Instituto Flor de Lótus, em Nova Friburgo.

Meu trabalho, além de lecionar, é realizado basicamente em consultório médico, com Homeopatia, Acupuntura e Psicoterapia. No fundo, sou um Clínico Geral à moda antiga, que atende pacientes com as mais diferentes queixas, como alergias, doenças reumáticas, depressão, problemas emocionais, nenéns com cólica, refluxo, etc. Isto torna minha prática sempre dinâmica, porque eu nunca sei que tipo de queixa me aguarda quando eu chamar o próximo paciente, a única certeza é que eu vou atender uma PESSOA que sofre e quer solução para seus sofrimentos.

Endereços de Atendimento:

Rua Uruguaiana, 39, 3º andar – Centro – Rio de Janeiro – RJ

Tel: (21) 2224-3975

Praça Marcílio Dias, 56 – Centro – Nova Friburgo – RJ

Tel: (22) 25239342

E-mail: marceloguerra@gmail.com